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  1. Estados Unidos e China dialogam para explorar a Lua, diz Nasa

    Agência espacial deve operar em um âmbito legal muito rigoroso imposto, por temores de transferência de tecnologia para o país asiático. As agências espaciais americana e chinesa estão dialogando e se coordenando para explorar a Lua, confirmou na sexta-feira (19) a Nasa, que deve operar em um âmbito legal muito rigoroso imposto pelo Congresso, receoso da transferência de tecnologia para a China. Imagem da lua. Ana Clara Marinho/TV Globo O responsável pelas atividades científicas da Nasa, Thomas Zurbuchen, tuitou nesta sexta-feira (18) que a agência americana tinha "conversado com a China" para realizar observações por satélite do pouso da sonda chinesa Chang'e 4 no lado oculto da Lua em 3 de janeiro. Exploração lunar Na segunda-feira, o diretor-adjunto do programa chinês de exploração lunar, Wu Yanhua, afirmou em um coletiva de imprensa que a China tinha dado à Nasa a latitude, a longitude e o horário previsto do pouso da sonda, para que pudesse observar este acontecimento histórico com seu satélite Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO). A Nasa, por sua vez, proporcionou a órbita prevista do LRO. Por fim, o satélite não pode estar no lugar adequado no momento exato. A agência americana informou em um comunicado que estava interessada em observar a nuvem de poeira provocada pelo impacto do pouso com um instrumento montado no satélite. "Por diferentes razões, a Nasa não foi capaz de ajustar a órbita do LRO para que estivesse em uma posição ótima para observar o pouso, mas a Nasa ainda está interessada na possibilidade de detectar a nuvem muito tempo depois do pouso", indicou a agência. Planos de estação na órbita lunar Este tipo de observações são úteis para futuras missões americanas, já que Washington quer voltar a enviar sondas e, em última instância, astronautas à Lua. A Nasa tem planos, inclusive, de montar uma estação na órbita lunar até 2026. O satélite americano fotografará a sonda Chang'e 4 em 31 de janeiro, anunciou a Nasa, quando passar por cima dela, como já fez com a Chang'e 3 em 2013. "A Nasa e a CNSA (agência espacial chinesa) acordaram que qualquer descoberta significativa que resultar desta coordenação deve se tornar pública para a comunidade científica mundial" em uma conferência do comitê da ONU para o uso pacífico do espaço extra-atmosférico que será realizada em Viena de 11 a 22 de fevereiro. A legislação americana proíbe, desde 2011, qualquer cooperação espacial com a China que implique "uma transferência de tecnologia, dados ou qualquer informação que tenha implicações na economia ou na segurança nacional". A Nasa indicou que a cooperação foi realizada de acordo com "as diretrizes do governo e do Congresso" e foi "transparente, recíproca e benéfica mutuamente". A cooperação, no entanto, poderia ir mais longe, revelou o ideólogo principal do programa lunar chinês, Wu Weiren, que garantiu que os Estados Unidos pediu "há alguns anos" que a China estendesse de três a cinco anos a operação do satélite Queqiao, lançado em maio de 2018, que permite aos aparelhos que estão no lado oculto da Lua se comunicarem com a Terra. Para qualquer cooperação mais ambiciosa, como a base internacional planejada pela China a longo prazo, "as restrições americanas serão uma barreira muito mais difícil de superar", advertiu à AFP Henry Hertzfeld, diretor do Space Policy Institute da Universidade George Washington. O Congresso americano tem toda a liberdade de modificar os poucos parágrafos desta lei, aprovada como represália a uma série de ciberataques atribuídos a China.
  2. O ambicioso plano para construir o Futuro Colisor Circular, acelerador de partículas mais poderoso do mundo

    Estimativa de custo de cerca de R$ 95 bilhões para montar uma estrutura quatro vezes maior que o atual LHC divide a comunidade científica, que questiona o caráter prioritário do investimento. Novo colisor de hádrons deve custar cerca de R$ 95,5 bilhões com a missão de descobrir a história do Universo CERN A palavra "ambição" talvez seja a que melhor descreva essa máquina, quatro vezes maior e 10 vezes mais poderosa que o mais moderno equipamento do tipo usado atualmente. O desejo de aprofundar os limites da Ciência e descobrir, finalmente, a história do Universo é o objetivo da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN, sua sigla em francês) ao propor a construção do que seria o sucessor do Grande Colisor de Hádrons, ou LHC (sua sigla em inglês), o mais poderoso acelerador de partículas planeta. O equipamento, batizado de Futuro Colisor Circular (FCC), seria montado em Genebra, na Suíça, com um custo estimado de US$ 25,5 bilhões (cerca de R$ 95,5 bilhões). O objetivo dos pesquisadores do CERN é que a estrutura já esteja operante em 2050, explorando novas partículas subatômicas. Críticos do projeto argumentam, contudo, que os recursos consumidos por ele seriam melhor aplicados em áreas de pesquisa em que novas descobertas são mais urgentes, como aquelas que investigam as mudanças climáticas. Para diretora geral do CERN, a professora Fabiola Gianotti, a proposta seria "uma conquista notável" para a comunidade científica. "Demonstra o tremendo potencial do FCC para melhorar nosso conhecimento da física fundamental e avançar em muitas tecnologias que têm um amplo impacto na sociedade", disse ela. Os engenheiros do CERN já estão construindo e testando componentes capazes de trabalhar em velocidades ainda mais altas no novo projeto CERN Os planos do CERN foram apresentados em um "relatório conceitual de design" e serão avaliados, em paralelo a outras propostas, por um painel internacional de físicos de partículas responsável por desenhar a nova Estratégia Europeia de Física de Partículas de 2020. O professor John Butterworth, do University College of London (UCL), que está entre os especialistas que desenvolvem o programa para o continente, disse à BBC que, ainda que mantivesse a "cabeça aberta", estava particularmente interessado na proposta da instituição. "O programa é ambicioso, empolgante e seria meu plano A", disse. O projeto envolve a construção de um novo túnel sob a estrutura física do CERN em Genebra para instalar um anel de cerca de 100 km de diâmetro, que inicialmente promoveria a colisão de elétrons com partículas carregadas positivamente, os pósitrons. A etapa seguinte prevê a colisão entre prótons e elétrons e os estágios um e dois lançariam as bases para possibilitar a colisão entre prótons com uma força 10 vezes maior do que a que é usada hoje pelo LHC. Novas descobertas Físicos esperam que essas colisões, a uma velocidade sem precedentes, revelem um novo mundo de partículas, aquelas que permitem que o Universo funcione - em vez das partículas subatômicas que conhecemos e que desempenham apenas um papel de mediadoras nas forças da natureza. A atual teoria da física subatômica, chamada de Modelo Padrão, tem sido um dos grandes triunfos do século 20. Ela explica claramente o comportamento da matéria e das forças através da interação de uma família de 17 partículas. A última delas, o bóson de Higgs, foi descoberta pelo Grande Colisor de Hádrons em 2012. Mas as observações dos astrônomos sugerem que há mais no Universo do que poderia ser explicado pelo Modelo Padrão. As galáxias giram mais rápido do que "deveriam" e a expansão do Universo está acelerando em vez de desacelerar. Além disso, o Modelo Padrão não consegue explicar a gravidade. Portanto, teria que haver um processo mais profundo, envolvendo partículas que ainda não foram descobertas. Encontrá-las forneceria aos físicos a Teoria de Tudo, que uniria todas as forças da natureza e unificaria os pilares sobre os quais a física moderna repousa: relatividade geral e mecânica quântica. Quando os físicos propuseram a construção do LHC pela primeira vez, eles sabiam que, se o Modelo Padrão estivesse correto, eles seriam capazes de encontrar o bóson de Higgs, como aconteceu finalmente. Eles também esperavam descobrir partículas além do Modelo Padrão, mas até agora não conseguiram. O CERN está desenvolvendo novos ímãs, mais poderosos, capazes de dobrar a potência do feixe mais potente que existe CERN A dificuldade com as propostas do CERN para construir um Grande Colisor de Hádrons de maior escala – o FCC – é que ninguém sabe a que velocidade será necessária colidir as partículas para que as descobertas fossem além do bóson de Higgs. Os pesquisadores esperam que a proposta de construção em estágios permita que os físicos identifiquem ondulações criadas pelas super-partículas e, assim, consigam determinar a velocidade que será necessária para encontrá-las. Os contribuintes que bancaram os primeiros investimentos, contudo, a essa altura talvez esperassem que o LHC já tivesse encontrado partículas além do Modelo Padrão. Assim, a construção de um acelerador maior corre o risco de gerar a impressão de que o desejo da comunidade física por aceleradores cada vez maiores e mais caros é potencialmente tão ilimitado quanto o próprio Universo. Custos e benefícios O cientista britânico David King, que tem assessorado o governo do Reino Unido e a Comissão Europeia em petições de grandes financiamentos, disse à BBC News que acredita que é hora de realizar uma análise de custo-benefício dos investimentos, especialmente por não ter ficado claro se a máquina de US$ 25,5 bilhões descobriria novas partículas. "Temos que colocar um limite em algum ponto, senão acabaremos com um colisor tão grande que vai girar ao redor da Linha do Equador. E, se não parar por aí, talvez a gente receba um pedido para que ele vá à Lua e volte." "Sempre haverá pesquisas mais aprofundadas que poderão ser feitas com colisores cada vez maiores. Minha pergunta é: até que ponto isso aumentará o conhecimento que já temos para beneficiar a humanidade?" Simulação das colisões de alta velocidade que ocorrerão no FCC CERN O professor King acredita que os governos deveriam avaliar se esse dinheiro poderia ser mais bem gasto na pesquisa de outras prioridades mais urgentes. "Estamos caminhando para uma era na qual a vida no planeta será cada vez mais quente. Na qual a atual economia global deixará de funcionar e mais de 150 milhões de pessoas serão forçadas a se mudar", disse ele. "Então, se tivéssemos uma bolsa de US$ 25,5 bilhões e estivéssemos discutindo o que fazer com ela, teríamos que debater com pessoas da comunidade de ciências médicas ideias para melhorar a saúde e o bem-estar do ser humano". "Lidar com a mudança climática é agora a nova prioridade para os seres humanos", concluiu o professor King. O que é bosônico? No entanto, o diretor do CERN para aceleradores e tecnologia, Frédérick Bordry, disse que não acredita que os US$ 25,5 bilhões sejam um valor alto para um projeto de vanguarda. Ele lembrou que o custo seria distribuído entre vários parceiros internacionais durante 20 anos e acrescentou que os gastos com o CERN se reverteram em muitos benefícios tecnológicos. "Quando me perguntam sobre os benefícios do bóson de Higgs, eu digo 'bosônico'. E quando me perguntam o que é bosônico, eu digo 'não sei'". "Mas se você imaginar a descoberta do elétron por J.J. Thomson em 1897, ele não sabia que seria a eletrônica. Mas hoje não podemos imaginar um mundo sem ela."
  3. Foguete japonês lança minissatélite para criar chuva artifical de meteoritos

    Outros seis minissatélites também foram lançados. Milhões de pessoas deverão ver o espetáculo em 2020. Foguete japonês colocou sete minissatélites em órbita Jiji Press/AFP Um foguete japonês colocou sete minissatélites em órbita na manhã desta sexta-feira (18). Um deles deverá criar uma chuva artificial de meteoritos, como se fossem fogos de artifício espaciais. De diferentes cores, as "estrelas" vão brilhar por vários segundos até sumirem totalmente. Se tudo acontecer como previsto, e o céu estiver claro, milhões de pessoas poderão ver este espetáculo em 2020, incluindo as zonas urbanas com muita poluição luminosa, como Tóquio. A ideia desse espetáculo celeste inédito foi de uma empresa baseada no Japão, que criou o dispositivo. Solto no universo interestelar pelo pequeno foguete Epsilon-4, o artefato tem de liberar 400 minúsculas bolas que brilharão, enquanto cruzam a atmosfera acima de Hiroshima. O foguete decolou do centro espacial Uchinoura com os minissatélites. Eles incluem diversas tecnologias "inovadoras", segundo o porta-voz da Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (Jaxa), Nobuyoshi Fujimoto. Os satélites foram postos em órbita como estava previsto, sem percalços – um sucesso para o Epsilon. "Estava muito emocionada, sem palavras", disse a presidente da empresa ALE, Lena Okajima, à agência de notícias japonesa Jiji. A empresa quer fazer "o mundo inteiro" sonhar com "estrelas fugazes sob encomenda" lançadas no lugar certo, com a velocidade certa e na direção correta. O processo técnico desenvolvido pela ALE é secreto.
  4. O país conservador que autorizou a fabricação e venda do 'Viagra feminino'

    Egito libera medicamento considerado controverso por especialistas para aumentar a libido feminina. O Flibanserin é produzido no Egito por uma empresa farmacêutica local BBC O Egito se tornou o primeiro país árabe a autorizar a produção e venda de uma droga destinada a aumentar a libido feminina. A jornalista Sally Nabil, correspondente da BBC, investiga se há mercado para o medicamento em um país tão conservador socialmente. "Fiquei sonolenta e tonta, e meu coração estava acelerado." Foi assim que Leila (nome fictício) se sentiu depois de tomar seu primeiro comprimido de Flibanserin, o chamado "Viagra feminino". O uso do medicamento foi autorizado pela primeira vez nos EUA há quase três anos, e agora está sendo fabricado no Egito por uma empresa farmacêutica local. Leila é uma dona de casa conservadora na faixa de 30 anos. Ela prefere não revelar a identidade, assim como outras mulheres, uma vez que falar sobre problemas e necessidades sexuais ainda é um tabu no Egito. Após quase 10 anos de casada, ela diz que decidiu tomar o medicamento "por mera curiosidade". Leila, que não tem problemas de saúde, comprou o remédio sem receita médica – uma prática muito comum no Egito, onde as pessoas podem adquirir diversos medicamentos sem receita. "O farmacêutico me disse para tomar um comprimido todas as noites por algumas semanas. E disse que não haveria efeitos colaterais", diz ela. "Meu marido e eu queríamos ver o que aconteceria. Tentei uma vez e nunca mais farei isso novamente." As taxas de divórcio estão aumentando no Egito, e algumas reportagens da imprensa local atribuem a problemas sexuais entre os casais. A fabricante local de Flibanserin diz que três em cada dez mulheres no país têm baixo desejo sexual. Mas esses números são apenas estimativas aproximadas - é difícil encontrar estatísticas deste tipo no país. "Este tratamento é muito necessário aqui - é uma revolução", diz Ashraf Al Maraghy, representante da empresa. O Flibanserin foi apelidado de 'Viagra feminino', termo considerado controverso BBC Maraghy ​​diz que a droga é segura e eficaz e que qualquer sintoma como tontura e sonolência vai desaparecer com o tempo – mas muitos farmacêuticos e médicos discordam. Um farmacêutico entrevistado pela reportagem avisou que a droga poderia baixar a pressão arterial para "níveis alarmantes" e poderia ser problemática para pessoas com doenças cardíacas e hepáticas. Murad Sadiq, que administra uma farmácia no norte do Cairo, diz que sempre explica os efeitos colaterais para os clientes, mas que "eles ainda insistem em comprar" a droga. "Cerca de 10 pessoas por dia chegam aqui para comprar o remédio. A maioria delas é de homens. As mulheres são muito tímidas para pedir isso." 'Está tudo na cabeça' Dentro da farmácia de Sadiq, reparei em um anúncio que se referia ao Flibanserin como "pílula rosa". Uma versão feminina da "pílula azul" – termo usado para fazer referência ao Viagra para homens. Mas o fabricante diz que a expressão "Viagra feminino" é imprecisa. "A mídia apresentou esse nome, não fomos nós", diz Maraghy. Enquanto o Viagra trata a disfunção erétil, melhorando o fluxo sanguíneo para o pênis, o Flibanserin foi desenvolvido como um antidepressivo e aumenta o desejo sexual, equilibrando substâncias químicas no cérebro. "'Viagra feminino' é um termo enganador", diz a terapeuta sexual Heba Qotb, que se recusa a prescrevê-lo a qualquer uma de suas pacientes. "Nunca vai funcionar com uma mulher que sofre de algum problema físico ou psicológico", acrescenta. "Para as mulheres, o sexo é um processo emocional. Tudo começa na cabeça. Uma mulher nunca vai conseguir ter um relacionamento íntimo e saudável com o marido se ele a maltratar. Nenhum remédio vai ajudar nisso." Qotb diz que a eficácia do Flibanserin é muito pequena e não vale a pena o risco. Leila afirma que conhece muitas mulheres "que pediram o divórcio após o relacionamento sexual ter azedado como resultado da tensão acumulada no casamento". "A redução da pressão arterial é um efeito colateral muito sério", adverte. As mulheres egípcias ainda têm um longo caminho a percorrer antes de se sentirem à vontade para falar sobre suas necessidades sexuais. "Se o seu marido é sexualmente fraco, você vai dar apoio e ajudar ele a procurar tratamento, contanto que ele seja um parceiro amoroso. Mas se você tem um marido abusivo, definitivamente vai perder todo o interesse nele, mesmo que ele seja bom na cama. Os homens parecem não entender isso". Embora ainda esteja no início, Sadiq, o gerente da farmácia, diz que as vendas de Flibanserin foram muito promissoras até agora e acredita que vão aumentar. Mas Qotb, a terapeuta sexual, está muito preocupada com as possíveis consequências dentro dos casamentos. "Quando um homem não perceber nenhuma melhoria no impulso sexual da esposa, mesmo que ela tenha tomado as pílulas, ele vai culpá-la – em vez de culpar a droga ineficiente ou o relacionamento que eles têm. Ele pode até usar isso como desculpa para terminar."
  5. Um dia em Saturno tem dez horas e meia, diz Nasa

    Anúncio foi feito nesta sexta (18). Pesquisadores também descobriram que os anéis do planeta surgiram bem depois do nascimento dele. Ilustração do orbitador Cassini cruzando o plano do anel de Saturno. Novas medidas da massa dos anéis dão aos cientistas a melhor resposta até agora sobre a idade deles. Nasa/JPL-Caltech Cientistas da Nasa resolveram um mistério de longa data, anunciou a agência nesta sexta (18) em um post no Twitter: a duração de um dia em Saturno. Segundo a agência, são dez horas, 33 minutos e 38 segundos. É um dado que frustra cientistas há décadas, porque o gigante gasoso não tem superfície sólida com marcos que possam ser rastreados enquanto ele gira. Além disso, Saturno tem um campo magnético pouco usual que esconde a taxa de rotação do planeta, de acordo com as informações da Nasa. Initial plugin text Durante a órbita da sonda Cassini, instrumentos da Nasa examinaram os anéis gelados e rochosos com detalhes sem precedentes. Christopher Mankovich, estudante de pós-graduação em astronomia e astrofísica na Universidade da Califórnia em Santa Cruz, usou os dados para estudar padrões de onda dentro dos anéis. O trabalho dele, publicado nesta quinta (17) no 'Astrophysical Journal', determinou que os anéis respondem a vibrações dentro do próprio planeta, agindo de forma similar aos sismômetros usados para medir movimentos causados por terremotos. O interior de Saturno vibra em frequências que causam variações em seu campo gravitacional. Os anéis, por sua vez, detectam esses movimentos no campo. Mankovich desenvolveu modelos da estrutura interna de Saturno que permitiram a ele mapear os movementos no interior do planeta — e, assim, sua rotação. A ideia de que os anéis de Saturno poderiam ser usados para estudar a sismologia do planeta foi sugerida pela primeira vez em 1982, bem antes que as observações necessárias se tornassem possíveis. Anéis são mais novos que o planeta Mas essa não é a única resposta que a ciência obteve sobre Saturno: os anéis do planeta são mais jovens do que se imaginava, diz estudo publicado nesta quinta (17) na revista 'Science'. Segundo a pesquisa, que também levou em conta informações da Cassini, eles surgiram entre os últimos 10 e 100 milhões de anos. As informações são da agência de notícias France Presse e do Jet Propulsion Lab, da Nasa. O sexto planeta a partir do Sol se formou há cerca de 4,5 bilhões de anos, junto com o restante dos planetas do nosso sistema solar, e passou a maior parte de sua existência sem os anéis característicos pelos quais é conhecido hoje. Os astrônomos acreditaram por muito tempo que os anéis poderiam ser jovens, e talvez formados por colisões entre as luas de Saturno ou por um cometa que se despedaçou nas proximidades do planeta. Algumas dessas respostas ganharam maior destaque por causa da Cassini — uma sonda americana não tripulada que foi lançada em 1997 e terminou sua missão em 2017 com uma morte planejada na superfície de Saturno. No final de sua missão, a Cassini fez 22 órbitas, circulando entre Saturno e seus anéis, chegando mais perto deles do que qualquer outra nave da história. Ao estudar como a trajetória de voo da sonda foi desviada pela gravidade dos anéis, os cientistas conseguiram deduzir a massa dos anéis e a idade aproximada. "Apenas chegando tão perto de Saturno nas órbitas finais da Cassini fomos capazes de reunir as medidas para fazer as novas descobertas. Entender a idade e a massa dos anéis era "um objetivo fundamental da missão", disse o autor principal do estudo, Luciano Iess, da Universidade Sapienza de Roma. Uma massa menor indica anéis mais jovens porque, à medida que envelhecem, os anéis atraem mais detritos e tornam-se mais pesados. Os anéis são 99% compostos de gelo. Os cientistas continuarão a investigar como os anéis se formaram. As novas evidências sobre a idade dos anéis dá a teorias de que eles se formaram de um cometa que chegou muito próximo de Saturno e foi descredibilidadetruído pela gravidade do planeta — ou por algum evento que dividiu uma geração anterior de luas geladas.
  6. Estudo mostra o desafio para se conter comércio clandestino de aves no Brasil

    O Brasil tornou-se o primeiro país da América do Sul a proibir, por lei, o comércio de animais silvestres. Isto aconteceu em 1967, e foi o jeito que o governo da época encontrou para romper o abuso depois de décadas de exploração intensiva que causou a extinção de muitas espécies, sobretudo de aves. Pouco antes da Primeira Guerra Mundial, por exemplo, um único comerciante londrino importou 400 mil beija-flores e 360 mil outras aves do Brasil. Em 1932, cerca de 25 mil beija-flores foram caçados no Estado do Pará e enviados para a Itália para enfeitar caixas de chocolate. Centenas de milhares de aves vivas foram depois exportadas como animais de estimação em toda a América do Sul após meados da década de 1950, depois que as conexões das companhias aéreas comerciais, principalmente através de Miami, estavam regularmente disponíveis. O Brasil tornou-se o primeiro país da América do Sul a proibir, por lei, o comércio de animais silvestres. Unsplash Bem, mas isto é história, e está bem contada no novo estudo sobre comércio de aves da América Latina produzido pela ONG internacional Traffic, que trabalha no contexto da conservação da biodiversidade e do desenvolvimento sustentável com apoio do WWF. O relatório é extenso, chama-se “Bird’s-eye view: Lessons from 50 years of bird trade regulation & conservation in Amazon countries” (“Vista Aérea: Lições dos 50 anos de regulamentação e conservação do comércio de aves nos países da Amazônia”, em tradução livre) e traz um panorama sobre o comércio de aves no Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru e Suriname e as ameaças à conservação representada pelo excessivo comércio internacional de espécies. De 30 a 35 mil aves são confiscadas anualmente, diz o estudo. Unsplash A boa notícia para o Brasil é que temos uma lei — e que, por causa dela, aquele abuso cometido no passado deu uma estancada. Um turismo com base em observação de pássaros no Brasil, Equador e Colômbia dá incentivo econômico e força para coibir os predadores. Mas, assim como há lei, há quem transgrida a lei. E o comércio clandestino de aves é, hoje, um enorme desafio para se manter nossas espécies — ou, pelo menos, o que restou delas. O estudo mostra que, em média, 30 a 35 mil aves são confiscadas anualmente, muitas delas destinadas a “competições de canto de pássaros”, onde os espectadores apostam dinheiro nos resultados de quantas músicas ou frases um pássaro cantará em um determinado período de tempo. Para nossa sorte — de pessoas que se sentem felizes em ouvir cantos de pássaros sem precisar engaiolá-los — este número não variou significativamente nos últimos 15 anos. Assim mesmo, diz o estudo, a indústria que produz gaiolas, alimentos e outros requisitos para a manutenção de aves no Brasil é um negócio multimilionário que gera cerca de 300 mil empregos diretos e indiretos. Há sempre alguém que se beneficia. A indústria que produz gaiolas, alimentos e outros requisitos para a manutenção de aves no Brasil é um negócio multimilionário. Pixabay Autor do estudo, o especialista Ortiz-von Halle afirma que o comércio ilegal internacional de aves sul-americanas foi reduzido ao seu nível mais baixo em décadas. No entanto, isso aconteceu “principalmente porque as espécies de aves mais procuradas pelos colecionadores já existem na maioria dos países consumidores”. Ou seja, a exploração foi tanta que tem espécies nativas que deixaram de ser. “As complexidades do comércio de aves têm sido subestimadas. Para garantir um futuro para as espécies cada vez mais ameaçadas da região, precisamos de estratégias integradas que busquem urgentemente impedir ou reverter a destruição de habitats e melhorar a fiscalização, complementados com incentivos econômicos para a geração local de renda através do turismo e uso sustentável dos recursos naturais. Isso oferece o melhor caminho para a notável avifauna da América do Sul”, disse ele. A Lei de Proteção à Fauna, assinada no regime militar no dia 3 de janeiro de 1967, o que mudou o status da vida selvagem, pelo menos perante a lei. Unsplash Para entender melhor o que ele quer dizer com “complexidades", vamos à história que Ortiz Von-Halle conta — cenas de antes da lei que coibiu o abuso e que podem ilustrar a trajetória dos desafios que temos ainda hoje: Até o Canal de Panamá ser aberto, em 1914, todos os navios que retornavam para a costa leste dos EUA ou Europa, do lado do Pacífico da América do Norte e do Sul, paravam nos portos brasileiros. Isto facilitou o envio de muitas mercadorias, incluindo aves vivas, penas e suas peles secas, e levou milhares de papagaios, tucanos e primatas de muitas espécies para Nova York e para o mercado europeu. Só em 1964, numa única fazenda do Amapá, 60 mil patos foram mortos. Unsplash Com a ajuda do ornitólogo Helmut Sick, que tem mais de 200 trabalhos publicados sobre o tema, o autor do estudo descobriu que, só em 1964 — e numa única fazenda no Amapá —, 60 mil patos foram mortos. Entre 1930 e 1940, fotos guardadas pelo especialista mostram caçadores fazendo pose ao lado de centenas de carcaças de uma espécie de pato que era característica de Londrina e que hoje não existe mais. Por volta de 1914, na região do Rio Negro, um comerciante empregou 80 homens com o objetivo de caçar e matar garças. Tudo isso abastecia o mercado de penas e peles nos séculos XIX e XX: para um quilo de plumas, 300 mil teriam que ser mortos. Durante a Primeira Guerra Mundial, foram importados 400 mil beija-flores e 360 mil outras espécies de aves. E veio a Lei de Proteção à Fauna, assinada no regime militar no dia 3 de janeiro de 1967, o que mudou o status da vida selvagem, pelo menos perante a lei. “… Não pode ser considerado um direito do cidadão, ou negligenciado indulgentemente, a destruição de elementos vitais do equilíbrio biológico. A caça pode ser permitida como esporte, mas nunca como fonte barata para uma indústria extrativa. A vida selvagem é mais do que o patrimônio do Estado: é um elemento para o bem-estar dos homens e da biosfera ”, diz o texto da lei. Durante a Primeira Guerra Mundial, foram importados 400 mil beija-flores e 360 mil outras espécies de aves. Pixabay Foi com a Constituição de 1988 que a destruição da vida selvagem através da caça por lucro ou esporte foi banida. A solução foi a reprodução em cativeiro, “considerada uma alternativa sensível à conservação para utilização comercial da fauna nativa”. Assim, o último programa legal de caça ao pato no Estado do Rio Grande do Sul foi declarado inconstitucional e fechado em 2008. Na ilegalidade, o contrabando tem causado baixas em nossa biodiversidade, o que, como se sabe, colabora sensivelmente para acelerar o processo das mudanças climáticas. Entre Brasil e Portugal, por exemplo, países que têm uma ligação com mais de 60 voos diretos por semana, é uma farra. Em vez de levarem as aves vivas, os marginais descobriram ser possível contrabandear ovos, atividade que começou por volta de 2002, segundo o estudo, já que papagaios e tucanos vivos, enviados sedados, costumavam chegar mortos a seu destino. “Os ovos são transportados amarrados aos corpos dos passageiros para manter a temperatura de incubação durante o vôo de 10 a 14 horas. Eles são embalados em papel de seda dentro da meia-calça feminina ou vão enrolados na cintura da pessoa”. Organizações não governamentais têm sido importantes, junto com o Ibama e o ICMBio, para conter o desatino. Na conclusão de seu estudo de caso sobre as aves do Brasil, o autor diz que é um desafio muito grande tentar conter o contrabando ou mesmo o uso indevido de aves porque existe, entre outras coisas, uma falta de informação sobre a preciosidade desses bichos para o planeta. Foi com a Constituição de 1988 que a destruição da vida selvagem através da caça por lucro ou esporte foi banida. Unsplash “A estratégia para estancar os criadores comerciais parece estar tendo algum efeito, já que seus números continuam diminuindo, mas as centenas de milhares de amadores representam um desafio maior. A posse habitual de espécies de aves nativas como animais de companhia é muito difundida. A consciência ambiental geral aumentou em certos setores do Brasil, que constitui 70% da população. Mas a população rural e suburbana mais ampla ainda carece dos níveis de educação, motivação e conscientização. A pobreza sempre empurrará as pessoas para capturar a vida selvagem em busca de lucro ou de maneira oportunista para acessar alimentos ou outros bens”, conclui ele. Vale para refletir. Amélia Gonzalez Arte/G1
  7. Médicos cubanos que trabalharam no Brasil chegam à Venezuela na próxima semana, diz Maduro

    Segundo presidente venezuelano, 2 mil médicos cubanos devem desembarcar na Venezuela. Em novembro, Havana saiu de acordo com o Brasil, em reação a críticas de Jair Bolsonaro. Médicos cubanos participam de uma cerimônia de boas-vindas no Aeroporto Internacional José Martí, em Havana, depois de chegar do Brasil, nesta sexta-feira (23) Fernando Medina/ Reuters A Venezuela irá receber na próxima semana 2 mil médicos cubanos que trabalharam no Brasil após a disputa entre a ilha comunista e o presidente brasileiro Jair Bolsonaro, de acordo com declarações de Nicolás Maduro em discurso na televisão. “Na próxima semana, vamos ter um evento especial que celebra a chegada de 2 mil novos médicos de família que Cuba vai nos enviar. Eles estão vindo do Brasil”, disse Maduro. O presidente já havia informado que esses médicos iriam ao seu país, durante seu discurso na Assembleia Constituinte na última segunda-feira (14). “O fascismo brasileiro encerrou o projeto de saúde e os 2 mil médicos estão vindo para a Venezuela”, disse. O presidente venezuelano não deu detalhes sobre como o país pagará pelos serviços. Cubanos no Brasil Em novembro, Havana decidiu se retirar do acordo do programa Mais Médicos mantido pela Organização Panamericana de Saúde (Opas) e firmado havia cerca de cinco anos com o Brasil, em reação contra as críticas feitas por Jair Bolsonaro desde a campanha. Em agosto, ainda em campanha, Bolsonaro declarou que "expulsaria" os médicos cubanos do Brasil. Para ele, as condições a que se submetiam os médicos cubanos representavam "trabalho escravo". Bolsonaro condicionou a permanência deles à revalidação de diploma e a contratos individuais com o governo brasileiro, que lhes permitissem receber o salário integral (Cuba repassa para a seus médicos no exterior 30% do que eles recebem por seu trabalho). Também impôs como condição a liberdade aos profissionais cubanos para trazerem suas famílias para o Brasil. Cubanos na Venezuela Na Venezuela, clínicas administradas por médicos cubanos foram um programa marcante do ex-líder socialista venezuelano Hugo Chávez, que desfrutou de amplos recursos de petróleo durante seus 14 anos no comando da Venezuela, encerrados em 2013 por um câncer. A Venezuela pagava pelos serviços médicos com remessas de petróleo. Maduro, que enfrenta o colapso da antes crescente economia da Venezuela, tem enfrentado queixas de decadência do sistema de saúde do país e de abandono das unidades antes administradas por médicos cubanos.
  8. Biossensor brasileiro avisa se alimentos estão contaminados por bactérias como a salmonella

    Inovação desenvolvida no interior de São Paulo pode ser solução mais barata e rápida para identificar contaminações, que geram desde infecções gastrointestinais até doenças graves. Imagem de microscópio eletrônico mostra salmonela (vermelho) invadindo células humanas NIH Todos os anos, 10% da população do planeta contrai algum tipo de doença transmitida por alimentos contaminados - desde infecções gastrointestinais até meningite, informa a Organização Mundial da Saúde (OMS). As mortes por essas doenças chegam a 420 mil anualmente, sendo crianças menores de cinco anos um terço das vítimas fatais. A maioria dessas enfermidades é causada por bactérias como Salmonella spp., Escherichia coli e Staphylococcus aureus. Pensando nisso, um grupo de pesquisadores brasileiros desenvolveu um biossensor que usa nanopartículas magnéticas e uma substância extraída do veneno do ferrão de abelhas para detectar contaminação em comidas e bebidas de forma muito mais rápida e eficiente que os métodos tradicionais. Segundo o físico Osvaldo Novais de Oliveira Junior, do Instituto de Física da USP de São Carlos, coordenador da equipe que desenvolveu o dispositivo, uma das maiores dificuldade para evitar as DTAs (sigla para doenças transmitidas por alimentos) é detectar bactérias no estágio inicial da contaminação, ou seja, quando o número delas ainda é muito pequeno. "Nos métodos convencionais, amostras de alimentos ou bebidas são coletadas e depois levadas a um laboratório especializado para a verificação da formação de colônias delas", explica. Isso tem que ser feito por meio de análises no microscópio para visualizar os agrupamentos, e pode demorar muito (até 72 horas), principalmente se a contaminação estiver no começo. "Há outros métodos, como o ELISA (na sigla em inglês de 'Enzyme Linked Immunosorbent Assay') e PCR ('Polymerase Chain Reaction'), que podem fornecer respostas mais rápidas", diz Oliveira, que desenvolveu o biossensor em conjunto com pesquisadores Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e a Embrapa Instrumentação, da mesma cidade. "O problema é que eles requerem equipamentos sofisticados e de alto custo e pessoal especializado para as análises." Por isso, desenvolver novas metodologias para detectar contaminação de alimentos por micro-organismos tem sido o objetivo de muitos grupos de pesquisa da redor do mundo. "A nossa intenção era criar algo para isso que fosse rápido, de baixo custo e, ainda assim, eficiente", explica Oliveira. "Nossa metodologia resolve o problema de detecção da contaminação inicial com uma estratégia de pré-concentração das bactérias na amostra." De acordo com ele, o sensor propriamente dito é bastante simples. Ele contém eletrodos de prata, depositados sobre filmes de um plástico, o poli (tereftalato de etileno) – ou PET –, com uma técnica de serigrafia. A tinta do metal é espalhada sobre o polímero usando uma máquina produzida no Brasil com uma tela de poliéster. "O que é especial nele é a possibilidade de se produzir grandes quantidades a baixo custo, e em outros tipos de materiais", conta Oliveira. "Não só no PET, mas também em papel e tecidos, como já testamos em nossos laboratórios." O outro ingrediente essencial do ensaio é a pré-concentração das amostras. Isso é feito para resolver a dificuldade da detecção de pequenas concentrações de micro-organismos. Na tecnologia desenvolvida em São Carlos, nanopartículas magnéticas produzidas em laboratório pelos pesquisadores são recobertas com melitina, a substância extraída do veneno do ferrão da abelha, que tem afinidade com bactérias. Quando essas nanopartículas são introduzidas em uma amostra líquida a ser analisada, as bactérias eventualmente presentes se dirigem a elas devido à presença da melitina. Após um determinado tempo – cerca de 20 minutos –, as nanopartículas magnéticas, com os micro-organismos aderidos, são atraídas com um ímã. É este material com bactérias pré-concentradas que é usada para a detecção. No caso de alimentos sólidos, uma pequena amostra triturada, homogeneizada e filtrada bastará para fazer o mesmo procedimento. Biossensor desenvolvido em São Carlos promete ser solução mais rápida e barata para identificar contaminação Divulgação Para isso, a amostra é colocada sobre os eletrodos, e então são realizadas medidas de impedância elétrica (resistência de um circuito elétrico à passagem de corrente quando se aplica uma tensão). "A presença das bactérias altera o valor da impedância, e esta alteração serve como mecanismo de detecção", explica Oliveira. "O processo de medida é rápido, cerca de alguns minutos, o que é vantajoso sobre os métodos tradicionais." Nesses, segundo o pesquisador da USP, é necessário analisar todo o volume ou massa do alimento ou bebida e acompanhar o crescimento das bactérias para que seja possível contá-las na colônia. Esse procedimento pode demorar entre 24 e 72 horas, para os casos de contaminação em estágio inicial, ou seja, com pequeno número de micro-organismos. Oliveira cita uma série de vantagens da tecnologia que seu grupo desenvolveu. "A primeira delas é o menor tempo requerido para a análise, pois são eliminadas as etapas de cultivo e crescimento das bactérias", diz. "Isso permite monitoramento em tempo real. A outra é o possível baixo custo de cada análise, pois os eletrodos são muito baratos (cerca de R$ 0,30 cada)." Além disso, os procedimentos também podem ser de baixo custo se a metodologia for usada em grande escala. "Outra possível vantagem é a simplicidade na realização das medidas de detecção, mesmo para pequenas concentrações de bactérias, o que pode ser feito por não especialistas em análises, com pouquíssimo treinamento", acrescenta Oliveira. Os pesquisadores testaram o biossensor que desenvolveram em três espécies de bactérias: Salmonella thyphi, Escherichia coli e Staphylococcus aureus. A primeira pode ser encontrada em alimentos como ovos e aves e causar febre tifoide. A segunda, por sua vez, é bastante comum no intestino dos humanos e no de alguns animais. Mas existem cepas patógenas (que causam doenças) relacionadas a diferentes tipos de problemas, incluindo infeções gastrointestinais, urinárias e até meningite. Por fim, a Staphylococcus aureus é encontrada em diferentes ambientes e pode causar doenças como conjuntivite, meningite e pneumonia. "Essas bactérias podem estar presentes em qualquer tipo de ambiente onde as condições de esterilização não sejam rigorosas", alerta Oliveira. "É o caso de alimentos manipulados de forma inadequada, como na indústria ou em supermercados." Além disso, o biossensor criado em São Carlos poderá ter outras aplicação. Com algumas adaptações, será possível usá-lo para detectar diferentes tipos de contaminação em ambientes hospitalares, como enfermarias e salas de cirurgia, bem como em instrumentos e equipamentos utilizados nesses ambientes, e também em pacientes com feridas, queimaduras e escaras.
  9. Pará tem mais de 300 vagas do 'Mais Médicos' não preenchidas em 89 municípios
    O Governo Federal informou que será aberta uma próxima etapa de inscrições, prevista para os dias 23 e 24 de janeiro, destinada aos profissionais brasileiros formados no exterior. O Pará tem 304 vagas não preechidas no programa "Mais Médicos" do Ministério da Saúde (MS), que compreendem 89 municípios do Estado e mais três Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs). Os dados são da Secretaria de Estado de Saúde (Sespa), que informou não ser autorizada pelo MS a divulgar o nome das localidades. Em todo o Brasil, 18% das vagas estão disponíveis, de acordo com números divulgados na última terça-feira (15). O Governo Federal informou que serão abertas uma próxima etapa de inscrições, prevista para os dias 23 e 24 de janeiro, destinada aos profissionais brasileiros formados no exterior. Ainda de acordo com a Sespa, 59 municípios e três DSEIs não tiveram inscritos. O prazo para os médicos brasileiros com registro no Conselho Regional de Medicina (CRM) se apresentarem nos municípios terminou no dia 10 de janeiro. Cronograma das próximas etapas: 22/1 - Validação dos documentos dos brasileiros formados no exterior 23/1 a 24/1 - Brasileiros formados no exterior escolhem vagas remanescentes 29/1 - Publicação da validação dos documentos dos médicos estrangeiros 30/1 a 31/1 - Médicos estrangeiros escolhem vagas remanescentes
  10. Por que o Bolsa Família ajuda a aumentar a taxa de cura da tuberculose

    Pesquisa publicada na revista científica The Lancet, com apoio da OMS, detalha como o programa de transferência de renda afeta tratamento da doença infecciosa comumente associada a pobreza. A tuberculose atinge cerca de 70 mil pessoas por ano no Brasil, de acordo com os últimos dados disponíveis do Ministério da Saúde. Considerada uma doença ligada à pobreza, ela atinge bem mais populações com baixa renda e pouca qualidade de vida. Tanto que o entendimento de pesquisadores é que medidas simples de combate à pobreza e melhoria de condições de vida podem ter efeitos muito positivos no tratamento e na cura da doença. No mês passado, um estudo de epidemiologistas brasileiros com apoio da OMS (Organização Mundial de Saúde), publicado na prestigiada revista científica Lancet, corroborou essa tese. A pesquisa indicou um aumento em 7,8% na taxa de cura de tuberculose entre pessoas que recebem o benefício Bolsa Família em comparação pessoas com as mesmas características demográficas e socioeconômicas que não são beneficiadas pelo programa de assistência. "Isso é muita coisa em termos de tratamento. Para se ter uma ideia, para um novo medicamento lançado no mercado atingir 5% de diferença em relação ao tratamento existente é uma dificuldade enorme", explica a epidemiologista Ethel Maciel, pesquisadora da UFES (Universidade Federal do Espírito Santo) e coordenadora do estudo. Pacientes em extrema pobreza A UFES e a UFBA (Universidade Federal da Bahia) estudam há anos como programas sociais afetam indicadores de saúde. Em 2012 isso chamou a atenção da OMS, que tem uma atenção especial voltada para doenças como tuberculose. "Eles ofereceram consultoria para criarmos um grande programa, um estudo de caso para o mundo", explica Maciel, cujo grupo optou por estudar o Bolsa Família, que condiciona a ajuda econômica a ações concretas das famílias carentes nas áreas de saúde (vacinação) e educação. A favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, é uma área endêmica de tuberculose Reuters Os pesquisadores das duas universidades acompanharam o histórico de saúde de uma amostra formada por mais de mil pessoas com tuberculose em sete cidades nas cinco regiões do Brasil entre 2014 e 2017. Os pacientes foram divididos em dois grupos: os que recebiam Bolsa Família e os que não recebiam. Os resultados do tratamento foram acompanhados após seis meses de terapia. O benefício é oferecido a famílias em extrema pobreza (com renda mensal de até R$ 89 por pessoa) ou famílias pobres (com renda de até R$ 178 por pessoa) que tenham filhos menores de idade ou gestantes. "Teoricamente, todo mundo que era muito pobre deveria receber (o auxílio), mas não foi a realidade que a gente encontrou", explica Ethel Maciel. "Muitas pessoas que recebiam uma renda baixa não estavam no programa." Os dados dos pacientes foram avaliados com uso de modelos estatísticos que tornaram possível comparar pessoas dos dois grupos (que recebiam ou não o auxílio) com características semelhantes (como idade, estado de saúde, gênero, índice de massa corporal, condições de moradia, acesso a saneamento etc). Estudos anteriores com análises de dados em cadastros de saúde já haviam mostrado a relação entre programas sociais e melhora na cura de tuberculose - são os chamados estudos retrospectivos, que analisam dados do passado. Esse novo estudo coordenado por Maciel foi a primeira pesquisa no Brasil que seguiu os pacientes prospectivamente, ou seja, acompanhou os doentes antes, durante e depois do tratamento. O resultado foi a descoberta de que o Bolsa Família aumenta a taxa de cura dos beneficiados em 7,8%. Comer todo dia A pesquisa, no entanto, não analisou o que as pessoas fazem com o dinheiro, ou seja, ela não aponta exatamente que fatores na vida dos pacientes foram alterados por causa do Bolsa Família e que aumentaram a taxa de cura das pessoas. A tuberculose é uma doença infectocontagiosa causada por bactérias transmitidas pelo ar, então lugares úmidos, fechados, com pouca ventilação, favorecem a transmissão. A hipótese dos pesquisadores é que o programa de transferência de renda aumente a taxa de cura através na melhora da alimentação, já que o benefício não é alto o suficiente (no máximo R$ 372) para gerar uma melhora no ambiente ou em outros aspectos da vida. Ilustração mostra a infecção da tuberculose, com nódulo sólido localizado na parte superior do pulmão Kateryna Kon/Science Photo Libra/KKO/Science Photo Library/AFP/Arquivo "São pessoas em condição de extrema pobreza, ou seja, se o auxílio permite que elas comam melhor, ou mesmo que comam todo dia, isso já faz uma diferença muito grande", explica Maciel. "É nossa principal hipótese, mas ainda precisa ser testada." A alimentação adequada é importante para a manutenção da saúde em geral e do sistema imunológico, que combate os agentes infecciosos. Doença negligenciada A Organização Mundial de Saúde classifica oficialmente a tuberculose como uma "doença negligenciada", ou seja, ela faz parte do grupo de enfermidades que interessam men os à indústria farmacêutica,e, por isso, são menos pesquisadas e recebem menos investimentos. "As doenças negligenciadas atingem mais populações de baixa renda, de países em desenvolvimento, e costumam ter tratamentos baratos - portanto combatê-las não interessa ao mercado", explica Maciel. "Os países que compõem o Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), bloco de nações em desenvolvimento, detém 50% da tuberculose no mundo." Pesquisas também relacionam a distribuição da tuberculose com a epidemia de Aids, já que a doença viral ataca o sistema imunológico e favorece a contração da tuberculose. A OMS tem um projeto global de combate à enfermidade, incentivando pesquisas sobre medicamentos e tratamentos. O grupo de pesquisadores da UFES e da UFBA que publicou a pesquisa sobre o Bolsa Família na Lancet agora pretende estudar efeitos de outros programas sociais no Brasil, como o Minha Casa, Minha Vida. "Entender exatamente de que forma a doença e a pobreza estão relacionadas é essencial para o planejamento de políticas públicas tanto na área de saúde quanto na área econômica", diz Maciel.
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