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  1. A delicada cesariana feita em bebê para retirar feto 'gêmeo'

    Um dia após seu nascimento, Itzamara foi submetida a cirurgia para retirada de gêmea parasita que se desenvolveu em seu abdômen, um raro evento que ocorre a cada 500 mil nascimentos. O caso de Itzamara foi descoberto ainda na gestação, por meio de um ultrassom (a imagem acima é de ultrassom genérico) Pixabay Mónica Vega estava no sétimo mês de gestação quando o médico notou algo muito raro em um exame de ultrassom. As imagens mostravam dois cordões umbilicais, mas Mónica não estava grávida de gêmeos. Era sua própria bebê, Itzamara, que carregava um feto no abdômen. O feto carregando um feto foi identificado em Barranquilla, na Colômbia. Especialistas calculam que a probabilidade desse tipo raro de gravidez é de uma a cada 500 mil nascimentos. O cirurgião Miguel Parra contou à Rádio Caracol que esse fenômeno é conhecido como fetus in feto e, se não for identificado a tempo, pode colocar em risco a gravidez. O médico explica que o irmão gêmeo se desenvolve dentro do outro, em vez de crescer no útero da mãe. Esse tipo de gravidez normalmente é gerada a partir de um único zigoto, formado por um óvulo e um espermatozoide. Initial plugin text Quando a estrutura se divide na primeira semana, se formam gêmeos idênticos. E essa estrutura se divide na segunda semana, são formados gêmeos siameses - fenômeno que acontece em uma a cada 200 mil gestações. No caso de Mónica, a célula se dividiu depois da segunda semana. "É um dos casos mais estranhos que vemos em medicina fetal. As células que iriam formar as gêmeas não se dividiram no momento adequado. Por isso, uma desenvolveu enquanto outra ficou dentro da irmãzinha", explica o médico. Gêmeo 'parasita' Miguel Parra diz que toda estrutura viva precisa de nutrientes e oxigênio para viver. No caso de Itzamara, ela usava o cordão umbilical e a placenta da mãe para se desenvolver. Já o feto dentro dela não tinha acesso à placenta, portanto extraía nutrientes e oxigênio da irmã. Parra explica que o pequeno feto não tinha cérebro nem coração. O sangue era bombeado por meio do coração da irmã gêmea. "Se não tivesse sido diagnosticada a tempo, a menina poderia ter crescido durante anos com esse feto parasita dentro de seu abdômen", diz o médico. Normalmente, esse fenômeno raro é descoberto após o nascimento; o caso de Itzamara é uma das poucas vezes em que foi detectado ainda no período do pré-natal. "É como ter um grande parasita. Esse parasita pode te enfraquecer e desnutrir, também pode prejudicar alguns de seus órgãos", diz Parra. A equipe médica submeteu Mónica a uma cesárea antes da 40ª semana de gravidez, já que havia risco de Itzamara ficar cada vez mais fraca por causa da parasita. A recém-nascida passou por uma cirurgia 24 horas depois de nascer para que o feto fosse removido de seu abdômen. A delicada operação foi bem sucedida, contou o médico. "Agora ela é uma menina que se desenvolve muito bem, ela se recuperou muito bem de sua cesariana, que aconteceu 24 horas após seu nascimento", disse Parra à rádio Caracol. Especialistas explicam que o raro fenômeno "feto in fetus" acontece quando o óvulo fecundado se divide depois da segunda semana e não na primeira, como acontece no caso de gêmeos idênticos Pixabay
  2. Araraquara aprova lei para preservar pegadas de dinossauros nas pedras das calçadas

    Cidade tem mais de mil marcas catalogadas espalhadas em placas de arenito. Calçadas em São Paulo e Araraquara trazem vestígios de dinossauros Uma lei aprovada por unanimidade pela Câmara Municipal de Araraquara (SP) coloca barreiras para a manipulação de placas de arenito que contenham pegadas de dinossauros. O objetivo é proteger esse patrimônio histórico que é desconhecido até dos próprios moradores da cidade. Segundo levantamento da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Araraquara tem mais de mil pegadas de dinossauros catalogadas. Elas estão no revestimento das calçadas feito, décadas atrás, com lajes de arenito de uma pedreira da Formação Botucatu. Várias calçadas de Araraquara tem pegadas de dinossauros. Reprodução EPTV As placas de pedra são encontradas em vários pontos da cidade como as calçadas do Parque Infantil e do Boulevard dos Oitis, na rua Voluntários da Pátria (Rua 5), onde foi criado um museu a céu aberto com placas indicativas de onde estão as marcas deixadas pelos dinossauros e de que espécie eles eram. Segundo vereadora Juliana Damus (Progressistas), autora do projeto, parte significativa desse acervo já foi danificada ou descartada, na maioria das vezes, por falta de conhecimento das pessoas. O Boulervad dos Oitis em Araraquara é considerado um museu a céu aberto, onde há placas que indicam onde estão as pegadas dos dinossauros. A CidadeON/Araraquara Com a lei, fica estabelecido que todo serviço de remoção, reforma ou remodelação de áreas destinadas ao passeio público revestidas de lajes de arenito deve ser avaliado pelo Poder Público. Uma equipe especializada vai fazer a análise das placas e se tiver um fóssil, o material vai ser levado para o museu de arqueologia e paleontologia. Quem desrespeitar a regra vai ser multado. Há também a intenção de fazer um trabalho de conscientização nas escolas para que as crianças entendam a importância da preservação. Oásis O paleontólogo e professor da UFSCar Marcelo Adorna Fernandes mapeou as pegadas dos dinossauros pelas ruas de Araraquara. Reprodução EPTV Segundo o paleontólogo e professor da UFSCar Marcelo Adorna Fernandes, boa parte do interior de São Paulo foi um grande deserto e onde hoje está Araraquara havia uma espécie de oásis que permitiu que os animais deixassem seus rastros na areia molhada, depois transformada em pedras. “A pequena umidade que existia nesse ambiente ajudava a manter a forma das pegadas. A areia seca recobriu essas pegadas e com um evento vulcânico que teve posteriormente, a lava recobriu esse deserto, endureceu a areia que se transformou em arenito”, explicou o especialista. Representação do dinossauro celurossauro que viveu na região de Araraquara e deixou a marca de suas pegadas na areia que virou pedra e hoje está nas calçadas da cidade. Reprodução EPTV Fernandes coordenou a equipe de pesquisadores que mapeou as pegadas de dinossauros nas calçadas de Araraquara disse que a cidade é única neste tipo de patrimônio. “Há vários livros científicos que mencionam Araraquara, justamente por abrigar os únicos registros desse tempo de transição entre o período Jurássico e o Cretáceo”, afirmou. A maioria das pegadas encontradas é de celurossauro, dinossauros que tinham o tamanho de uma galinha e que viveram na região há, aproximadamente, 135 milhões de anos. Veja mais notícias da região no G1 São Carlos e Araraquara.
  3. USP estuda técnica de cirurgia na coluna por endoscopia que reduz tempo de recuperação

    Menos invasiva que operação aberta, modalidade já é aplicada na Alemanha, EUA e China. Médicos dizem que método pode resolver fila no SUS para doenças como hérnia de disco. Com câmera, médicos realizam procedimento na coluna de paciente no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) Rafael Moraes A assistente de compras Fabíola Taís de França, de 39 anos, há quatro meses não convive com as dores nas costas que a incomodaram por dois anos. Com um corte milimétrico, alta no dia seguinte ao procedimento e uma recuperação de apenas uma semana, ela foi submetida no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (HC-RP) a uma cirurgia endoscópica na coluna, modalidade pouco difundida no Brasil que a curou de uma hérnia de disco. "O problema maior era que a hérnia estava pinçando o nervo ciático. Eu já estava com formigamento no pé, acordando de madrugada com dor, a dor era 24 horas. Sumiu, desapareceu", relata. O procedimento que ela recebeu sem pagar nada é uma técnica já realizada em países como China, Estados Unidos e Alemanha, além de algumas clínicas particulares em grandes centros brasileiros, que, em vez de bisturis e pinças, usa alta tecnologia com câmera e instrumentos de proporção reduzida. A modalidade, segundo os médicos, poderia mudar a forma como se operam pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS), sobretudo por ser menos invasiva e com menos complicações que a cirurgia aberta convencional, que implica meses de recuperação no pós-operatório. Hospital das Clínicas no campus da USP em Ribeirão Preto Rodolfo Tiengo/G1 No interior de São Paulo, a nova técnica chega aos primeiros pacientes ainda de forma restrita por meio de um curso de extensão inédito no Brasil oferecido pela Faculdade de Medicina (FMRP) em parceria com o DWS Spine Research Center, que tem capacitado profissionais brasileiros e do exterior. Na primeira turma, 34 neurologistas e ortopedistas se formaram no início deste ano, acompanhando na prática os resultados da tecnologia. Para o próximo ciclo, mais 40 devem estar aptos a realizar o procedimento. A ideia é que esses profissionais difundam o conhecimento, o levem para suas rotinas e o apliquem não só em pacientes com hérnia de disco - que representam em torno de 85% dos que têm problemas na coluna no país, segundo estimativas do setor -, mas também para problemas como estreitamento de canal, pinçamento de nervo e compressão de medula. A previsão é de que isso chegue de maneira mais rápida por meios particulares e convênios médicos, mas a expectativa é de que um dia também seja praticado no SUS, segundo Helton Defino, professor do departamento de ortopedia da universidade e coordenador do curso de extensão. Para tanto, a cirurgia primeiro precisaria ser reconhecida pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). "Não tenho dúvida de que daqui a cem anos essa modalidade de cirurgia vai predominar. A gente observa isso que aconteceu em pouco tempo na cirurgia do joelho. (...) Hoje fazer uma cirurgia de menisco sem a artroscopia é totalmente inaceitável", afirma. Em alguns casos isolados, isso já tem se tornado realidade, por meio de parcerias isoladas, segundo João Paulo Bergamaschi, um dos fundadores e professores convidados do curso de extensão na USP e diretor do DWS. "Tem gente de Belém [PA], do Mato Grosso e de Goiás que atuam nesses dois tipos de públicos. Eles conseguiram firmar algumas parcerias com algumas empresas até mesmo com hospital pra poder adquirir o material necessário e isso ser utilizado para os pacientes do SUS inclusive." Câmera permite realização de cirurgia endoscópica da coluna na USP em Ribeirão Preto (SP) Rafael Moraes/Divulgação Cirurgia endoscópica No método tradicional, o paciente é posicionado de bruços na mesa cirúrgica, onde recebe uma anestesia geral. A depender da doença a ser tratada, o corte na coluna pode variar de 5 a 25 centímetros e, após o problema ser solucionado, o procedimento ainda demanda um trabalho de fixação em função do descolamento da musculatura dos ossos. "Dependendo do quanto de osso a gente tira para resolver o problema do paciente, a gente gera uma instabilidade nesse local. Nessas situações precisa-se obrigatoriamente fazer essa fixação, senão o paciente terá outros problemas no futuro. Depois de resolvido o problema, a musculatura e o tecido subcutâneo na pele são suturados através de pontos simples", explica Bergamaschi. Já na cirurgia endoscópica, o paciente recebe apenas uma anestesia local e fica sob efeito de uma sedação leve, o que o permite acompanhar a cirurgia e dar feedbacks imediatos sobre os sintomas. "Se ele tem uma hérnia de disco e eu a tirei, ele consegue me afirmar que não tem mais nenhum tipo de dor. (...) É um procedimento que a grande maioria dos pacientes faria novamente sem problema algum", afirma Bergamaschi. O corte feito para introduzir a câmera com os instrumentos automatizados tem em torno de 0,5 centímetro e o procedimento dura de 15 minutos a duas horas. "Tem um dilatador, uma canola de trabalho por onde a câmera passa e todo o procedimento é feito pela televisão. Por dentro dessa câmera a gente consegue manipular alguns instrumentos, obviamente limitados, que nos permitem resolver o problema do paciente que está causando a dor, seja ele um pinçamento de nervo, uma compressão de medula, uma hérnia de disco, uma estenose, um estreitamento de canal." Outra vantagem está no índice de complicações após a cirurgia, de 5% contra 25% da convencional. "Na cirurgia aberta geralmente é superior. Um em cada quatro pacientes tem algum problema em algum momento da recuperação, uma dor mais persistente, uma recidiva do pinçamento, um problema na cicatrização, alguma coisa nesse sentido. Se a gente for comparar as complicações, sem dúvida alguma as da técnica endoscópica tendem a ser menos graves e mais fáceis de ser solucionadas que na cirurgia aberta convencional." Em termos financeiros, o método pode ser mais caro se analisado isoladamente, mas representa economia de custos quando avaliado todo o atendimento ao paciente, defendem os especialistas. Ainda importada de países como Alemanha e EUA, a tecnologia necessária para a cirurgia endoscópica demanda um investimento inicial que varia de R$ 80 mil a R$ 100 mil e um custo médio de R$ 15 mil a R$ 25 mil por procedimento realizado. Uma cirurgia convencional aberta pode custar de R$ 10 mil a R$ 100 mil dependendo da extensão do problema, segundo Bergamaschi. Mesmo quando é mais custoso, o método mais novo reduz drasticamente o tempo de internação - de meses para uma semana -, o que repercute em menos gastos com a permanência no hospital e para o INSS, com o retorno mais rápido dos pacientes ao trabalho. Em países da Europa, EUA, além do Chile e China, essa cirurgia já uma realidade, segundo os médicos. "Se a gente pegar um problema mais simples a gente gastaria de R$ 10 mil a R$ 15 mil em uma cirurgia aberta. Mesmo assim, o custo total da recuperação desse paciente vai ser superior ao do paciente submetido a uma cirurgia endoscópica que a cirurgia em si", diz Bergamaschi. Equipe de médicos em curso inédito voltado a cirurgia endoscópica da coluna em Ribeirão Preto Rafael Moraes/Divulgação Parceria A técnica chegou ao campus da USP de Ribeirão Preto depois de uma visita do médico chileno Álvaro Downling, referência internacional na cirurgia endoscópica de coluna, convidado para uma curso rápido sobre o tema. Foi durante essa visita que surgiu a ideia de estabelecer uma parceria entre universidade e iniciativa privada para oferecer uma formação mais longa e consistente sobre o assunto. "Isso representa um grande avanço, você faz um procedimento com uma menor morbidade. Só que pra você executar isso precisa de equipamentos, é uma cirurgia que você não faz com bisturi e pinça como em uma cirurgia aberta, você precisa de equipamentos sofisticados com ótica, com toda uma aparelhagem para lhe permitir realizar esse procedimento. Em função disso, ela exige uma curva de aprendizagem, um treinamento muito específico", afirma Defino. Na parceria firmada, a clínica fornece o know how da tecnologia, com professores convidados, entre eles Downling e Bergamaschi, enquanto a USP coloca à disposição seu corpo docente em áreas como anestesia, radiologia e anatomia, além de laboratórios, salas, centro cirúrgico e pacientes encaminhados pelo HC interessados em se submeter à técnica. As cirurgias fazem parte do conteúdo do curso, que prevê 12 encontros mensais aos fins de semana. "Você está realizando um procedimento inovador, que é de menor morbidade, em uma popular do SUS dentro do hospital, mas sem o financiamento do SUS, é o curso que financia essa cirurgia. Ao mesmo tempo você está realizando uma atividade de ensino, está introduzindo uma nova técnica a custo zero para a instituição, que em contrapartida te dá toda a estrutura pra realizar isso", explica Defino. Veja mais notícias da região no G1 Ribeirão Preto e Franca
  4. Conferência sobre envelhecimento quer educar membros do Congresso

    Evento ocorre em Washington e tem entre objetivos um corpo a corpo com os políticos Uma conferência nacional com o objetivo de criar condições para que todos tenham o direito de envelhecer com saúde e segurança financeira. Infelizmente, não vai acontecer aqui, e sim em Washington, nos Estados Unidos, entre 17 e 20 de junho. Batizada de Age+Action (Idade+Ação), trata-se de uma iniciativa do National Council on Aging, o Conselho Nacional para o Envelhecimento, ou simplesmente NCOA, que busca mobilizar entidades do país inteiro para que as discussões e iniciativas se capilarizem, ganhando musculatura. O evento pretende dar foco especial à questão da mulher, que vive mais e também é quem sofre de maior insegurança financeira no fim da vida – nesse aspecto, mesmo sendo a principal potência do Ocidente, os EUA se assemelham aos demais países e essa é uma chaga que existe tanto lá quanto aqui. No entanto, o que chamou a minha atenção foi o chamado “Capitol Hill Day”, cuja finalidade é “educar os membros do Congresso”, como explica a organização. Conferência Age+Action: pelo direito de envelhecer com saúde e segurança financeira https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Senior_centers_in_the_United_States#/media/File:FEMA_-_41946_-_MSRO_Speaker%27s_Bureau_visits_Senior_Centers.jpg O Capitólio norte-americano é onde funcionam a Câmara e o Senado e, no dia 19 de junho, os organizadores do Age+Action querem levar o maior número possível de participantes para ter dois dedos de prosa com os congressistas e mostrar quais são as necessidades dos idosos. O NCOA está tão empenhado nessa mobilização que promoverá seminários pela web para planejar o dia da visita e fornecer todo tipo de subsídio que tornem as discussões mais proveitosas – o objetivo não é receber tapinhas nas costas de políticos, e sim que eles se comprometam com as demandas desse segmento da população que não para de crescer. Adoraria ver algo semelhante ser orquestrado por aqui, para fugir do tom paternalista que normalmente pauta os discursos em Brasília sobre nossos velhos. Já ultrapassamos a marca dos 30 milhões de idosos, sendo que as mulheres respondem por 56% desse total – elas, cujo prognóstico é o de uma velhice com mais dificuldades – e a estimativa é de que, em 2030, o número de pessoas acima dos 60 anos supere o de crianças e adolescentes até 14 anos. Não se trata apenas de garantir que a Previdência dê conta desse contingente, mas de que tenhamos políticas públicas voltadas para um envelhecimento digno.
  5. Mais de 100 mil casos de dengue foram notificados no estado de SP este ano, diz secretaria

    O número é quase trinta vezes maior que no mesmo período do ano passado, quando cerca de 3,8 mil casos foram notificados. Em três meses, já houve 29 mortes por causa da doença no estado — quase o triplo do registrado em todo o ano de 2018. Dengue Agência Estadual de Notícias Os casos de dengue dispararam no estado de São Paulo neste verão. Desde janeiro até esta segunda (18), foram notificados 106.224 casos da doença — quase trinta vezes mais que no mesmo período do ano passado, quando houve 3.895 casos. Dos 106 mil casos, 45 mil já foram confirmados. Os números são da Secretaria Estadual de Saúde. Também aumentou a quantidade de vítimas fatais da doença. Neste ano, já são 29 mortes por — quase três vezes mais que no ano passado inteiro, quando dez pessoas morreram de dengue. A maioria dos casos notificados vem do interior. Bauru lidera a lista de casos, com 6 mil casos e dez mortes. Em Guarulhos, foram 89 casos confirmados de janeiro até agora, um aumento de 404% em relação ao mesmo período do ano passado. Casos de dengue no Brasil aumentam 149% em comparação com 2018 Na capital, 642 são casos confirmados, contra 563 registrados no ano passado inteiro. A Prefeitura diz que tem feito trabalhos de prevenção. Mais de 500 mil imóveis foram visitados até a semana passada por agentes de saúde — que ensinam as pessoas a não deixarem a água parada nem o lixo acumulado. O verão é a época mais propícia para o aumento dos casos: mais chuvas e mais água empoçada formam o ambiente ideal para as larvas do mosquito vetor — o Aedes Aegypti — se reproduzirem. Mas não foi só isso: um novo tipo de vírus entrou em circulação em São Paulo, o da dengue tipo 2. Segundo o infectologista Marcos Boulos, da Coordenadoria de Controle de Doenças, o aumento do número de casos ocorreu porque "como a dengue já estava circulando há vários anos nessa localidade, no noroeste de São Paulo, a maior parte das pessoas já tiveram dengue. Quando vem um outro sorotipo, que é o que aconteceu agora — tinha o dengue tipo 1 e vem o dengue tipo 2 — as pessoas não tiveram, então o contingente de pessoas não imunes contra a dengue tipo 2 é muito maior do que contra dengue tipo 1, e a doença se expandiu", explicou. Para evitar a transmissão da dengue, é importante não deixar água parada. Para evitar as picadas, é possível colocar redes nas janelas, vestir roupas com mangas compridas nas áreas de risco e usar repelente. Entre os sintomas estão dor de cabeça e atrás dos olhos, nos ossos e articulações, falta de apetite, febre, "moleza" no corpo e, nos casos de dengue hemorrágica, pode haver dificuldade de respiração, pulso fraco e dores abdominais. Febre amarela, dengue, zika e chikungunya: entenda as doenças do Aedes que afetam o Brasil
  6. Americana de 76 anos é a primeira mulher a receber Prêmio Abel de matemática

    Premiação foi criada em 2003 pelo governo norueguês com o objetivo de compensar a ausência de um Prêmio Nobel para área. Pioneira da análise geométrica é a primeira mulher a receber prêmio mundial de matemática O Prêmio Abel de Matemática foi concedido pela primeira vez a uma mulher, a americana Karen Uhlenbeck, especialista em equações derivadas parciais, de acordo com anúncio feito pela Academia Norueguesa de Ciências e Letras. "Karen Uhlenbeck recebe o Prêmio Abel 2019 por seu trabalho fundamental em análise geométrica e teoria de calibre, que transformou dramaticamente o cenário matemático", afirmou o presidente da comissão Abel, Hans Munthe-Kaas. "Suas teorias revolucionaram nossa compreensão de superfícies mínimas, como a formada por bolhas de sabão, e problemas de minimização gerais em dimensões mais altas", acrescentou. Uhlenbeck, de 76 anos, é professora visitante na Universidade de Princeton e professora associada do Instituto de Estudos Avançados (IAS) dos Estados Unidos. Karen Uhlenbeck, de 76 anos, é professora emérita da Universidade do Texas Andrea Kane/Norwegian Academy of Science and Letters/AFP Nascida em Cleveland, "desenvolveu técnicas e métodos de análise global que estão atualmente na caixa de ferramentas de cada geômetra e analista", indicou a Academia Norueguesa de Ciências e Letras. Também é uma ativista em favor da igualdade de sexos nas ciências e matemáticas. É a primeira mulher a receber o Prêmio Abel, criado em 2003 pelo governo norueguês com o objetivo de compensar a ausência de um Prêmio Nobel para matemática. O prêmio é uma homenagem ao matemático norueguês Niels Henrik Abel (1802-1829) e entrega seis milhões de coroas (R$ 2,6 milhões) ao vencedor. Ele é uma das mais prestigiosas distinções no mundo da matemática, junto com a Medalha Fields.
  7. As vítimas de Daryll Rowe, o primeiro britânico condenado por transmitir HIV intencionalmente

    Acusado por dezenas de homens, Daryll Rowe foi condenado à prisão perpétua; a história dele e dos homens que infectou e ameaçou depois dos encontros é tema de documentário da BBC. Depois de fazer várias vítimas, Daryll Rowe foi a primeira pessoa a ser presa no Reino Unido por contaminar deliberadamente pessoas com HIV BBC "Como alguém pode ser tão cruel?" Lenny deixa escapar a pergunta em voz alta enquanto fala de um encontro que jamais esqueceu. No final de 2015, Lenny se encontrou pela primeira vez com o cabeleireiro Daryll Rowe. Três anos depois, Rowe se transformou na primeira pessoa condenada no Reino Unido por contaminar deliberadamente outras pessoas com o vírus HIV. Lenny e Rowe viviam em Brighton, na Inglaterra, e se conheceram num aplicativo de paquera. Começaram os flertes antes mesmo de trocar fotos. Mas, quando começaram a falar de sexo, o tom da conversa mudou. Daryll dizia que não queria usar preservativo. Lenny cortou o pretendente e decidiu ignorar o cabeleireiro. Isso mudou quando Rowe lhe mandou uma mensagem dizendo que concordava em usar camisinha. Pouco depois, Rowe apareceu na casa de Lenny. "Penso nesse momento constantemente. Simplesmente não devia ter aberto a porta", diz Lenny, de 38 anos. Lenny: 'Simplesmente não deveria ter aberto a porta' BBC Rowe não cumpriu a promessa. Ouviu do parceiro que, se não usasse camisinha, teria que ir embora. Pareceu concordar, e Lenny não percebeu que o que de fato aconteceu. Na semana seguinte, Lenny começou a receber mensagens e telefonemas com ameaças. "Como se atreve a me bloquear?", gritou Rowe no telefone. "Não pode se livrar de mim. Vai se queimar. Eu furei a camisinha. É, estúpido. Te enganei." Lenny cresceu em Nova York, é maquiador de celebridades e tinha acabado de terminar um relacionamento quando conheceu o cabeleireiro. "Senti medo no corpo inteiro", recorda Lenny, cujo semblante muda por completo ao se lembrar do que aconteceu. Depois das mensagens insensíveis e cruéis, ele acabou fazendo um exame. Estava infectado com o vírus HIV. O resultado positivo mudou sua vida para sempre. Pensou, de forma equivocada, que a vida havia acabado e que tinha recebido uma sentença de morte. Ao ouvir na clínica onde fez o teste que seu caso não era único, decidiu denunciar Rowe. Lenny e outros quatro homens decidiram falar publicamente sobre os encontros com Rowe num novo documentário da "BBC Three", canal de televisão da BBC, intitulado "O Homem Que Usou o HIV Como Uma Arma". Comportamento padrão Um dia depois de receber o diagnóstico sobre o HIV, Rowe subiu um vídeo no seu canal do YouTube falando sobre vida saudável e assumindo ser vegano. "Não bebo, não fumo e uso azeite de coco porque é muito bom para o sistema imunológico." Ele mantinha em segredo que vivia com o HIV. Nem seus pais adotivos, que moram em Edimburgo, a capital escocesa, sabiam. Ele tinha rejeitado o tratamento médico e preferiu passar a beber a própria urina em busca de uma "cura" prometida na internet. Foi nessa época que o cabeleireiro passou a contaminar deliberadamente suas vítimas. E o padrão era sempre parecido. Enviava mensagens por meio da internet ou por aplicativos para obter sexo. Tentava convencer os parceiros a não usar preservativos. Depois, começava a mandar mensagens com ameaças e altamente perturbadoras para assustar as pessoas com quem teve as relações. 'Tirei a camisinha' Stuart começou a conversar com Rowe em julho de 2015, também num aplicativo. Marcaram um encontro e ele foi até o cabeleireiro. A porta estava aberta quando chegou. "Estava te esperando", disse Rowe. Stuart foi chamado de paranoico ao ter averiguado a camisinha depois do sexo BBC Ele se lembra de ter pedido para que o cabeleireiro colocasse uma camisinha. Mas, depois do sexo, olhou o preservativo e ele parecia não ter sêmen. De pronto confrontou o cabeleireiro, que reagiu perguntando se Stuart era paranoico. "Sim, tinha uma camisinha", rebateu. Eles chegaram a bater um papo e assistir a um vídeo antes de Stuart ir embora. Recebeu mensagens de Rowe perguntando se ele tinha gostado do sexo e também atendeu a uma chamada na qual o cabeleireiro ficou em silêncio do outro lado da linha. Oito dias depois, Rowe passou a atacar Stuart. Mandou várias mensagens curtas, uma atrás da outra. "É um idiota ignorante", escreveu, junto com um emoji chorando. "Hahaha, tirei a camisinha". Stuart ficou atordoado. Colegas de escola Peter, que se encontrou com Rowe já no segundo semestre de 2015, acabou reconhecendo o ex-colega de escola. Confidenciou que sempre o achou atraente. "Era muito bonito", diz. Rowe foi muito direto. Deixou claro logo no início que queria transar sem camisinha. Quando Peter lhe perguntou se era seguro, o cabeleireiro o chamou de paranoico – da mesma forma que fez com Stuart. Por dias, Peter pensou que Rowe estava brincando com ele BBC Depois do encontro, recebeu uma mensagem de Rowe na qual ele confirmava ser HIV positivo. Peter, desesperado, respondeu implorando para que o cabeleireiro dissesse que não era verdade. Rowe não respondeu logo. "Ele está inventando", pensou Peter. "Está sendo infantil." 'Parecia uma boa pessoa' Andrew também conheceu Rowe por meio de um aplicativo de encontros. "Ele era muito bonito e parecia uma boa pessoa", recorda. "Até então, não tinha nenhum motivo para duvidar disso." Quando se encontraram, nenhum dos dois tinha camisinha. Decidiram transar assim mesmo. Andrew passou a noite com ele. Pensou até que o relacionamento poderia ficar mais sério. Na manhã seguinte, quando entrava no ônibus para voltar para casa, decidiu conferir o celular. Olhou até mesmo aplicativos de encontros e quando Rowe viu que Peter estava "ativo" teve um ataque de raiva. "Me escreveu imediatamente dizendo que não podia acreditar que estava conectado. 'É uma escória', disse". Andrew cortou a conversa e decidiu não se encontrar mais com Rowe. Um mês depois, recebeu uma mensagem do cabeleireiro. "Espero que tenha desfrutado das quatro vezes que gozei dentro de você", escreveu com um emoji sorrindo. "Tenho HIV." Profilaxia Hoje, já há medicamentos capazes de deter a contaminação com HIV. Uma forma de prevenção importante é Profilaxia Pós-Exposição (PEP). O método consiste em usar medicamentos antirretrovirais durante 28 dias após uma possível exposição ao vírus HIV - e é, inclusive, oferecido pelo SUS no Brasil. Nem todas as vítimas de Rowe foram diagnosticadas como HIV positivo Ministério da Saúde/Divulgação Para ter efeito, contudo, deve ter início no máximo até 72 horas após a exposição. Indica-se o uso de PEP para pessoas que tiveram relações sexuais desprotegidas, sofreram violência sexual ou tiveram acidentes com agulhas ou outros objetos cortantes. Mas Rowe sempre confessava ser portador do HIV tarde demais para que suas vítimas usassem o método. Ao verem as mensagens, todos correram para fazer exames. Nem todos foram contaminados. Andrew bebeu uma garrafa de vinho sozinho em casa. Estava louco de preocupação um dia antes de receber o resultado, que foi negativo. Peter também saiu ileso. "Fui um dos sortudos, eu acho". Peter enfrenta a culpa de achar que podia ter ajudado mais gente se tivesse ido à polícia denunciar Rowe logo depois que recebeu a mensagem do cabeleireiro. Stuart, no entanto, foi contaminado. Assim como Lenny fez meses depois em Brighton, também foi à polícia. Entregou o endereço de Rowe, que morava na Escócia, o número do telefone, cópia das telas com as mensagens que recebeu e uma descrição detalhada da aparência do cabeleireiro. "Quando recebi meu diagnóstico me dei conta de que devia denunciá-lo. Era um pessoa perigosa que precisava ser detida", diz Stuart. Brighton Em outubro de 2015, Rowe fugiu para a Inglaterra antes que a polícia o chamasse para prestar esclarecimentos. Não deixou endereço, não tinha conta em banco e mudou o telefone. Mas continuou usando o mesmo aplicativo para encontrar vítimas e contou para os pais para onde estava indo. "Nos disse que ia para Brighton porque era a capital gay do Reino Unido e que sua vida poderia ser bem melhor lá", conta a mãe adotiva, Jacqui. "Disse que poderia conseguir um trabalho como cabeleireiro. Tinha resolvido a questão da moradia. Parecia uma mudança positiva e ficamos felizes por ele." Mas foi em Brighton que Rowe conheceu Lenny e repetiu o que tinha feito com Stuart, Peter e Andrew em Edimburgo. Lenny, que havia se mudando para o Reino Unido, tinha uma história muito dolorosa com relação ao HIV. Seus pais morreram de Aids nos anos 1980. "Meu pai era usuário de drogas e se contaminou com uma agulha infectada. Ele passou para minha mãe." Depois disso, Lenny prometeu a si mesmo que nunca iria se expor à possibilidade de contrair HIV. "Cresci dizendo que nem em um milhão de anos iria deixar me contaminar. Não queria ter de dizer que tenho HIV." Lenny diz não saber como Rowe furou a camisinha. "Confiei nele." Lenny denunciou Rowe à polícia em fevereiro de 2016, depois que soube de outros quatro casos parecidos. A polícia prendeu o cabeleireiro e o interrogou. Investigavam casos envolvendo sete homens. Mas ao apreenderem o telefone de Rowe descobriram que ele havia feito o mesmo com centenas de homens. Todos tiveram contato com o cabeleireiro e, em seguida, foram informados por ele que era portador de HIV. Em um vídeo da polícia, filmado durante o primeiro interrogatório, Rowe pode ser visto afirmando com muita calma que não sabia que ele tinha HIV. "Eu tive um relacionamento recém-chegando aqui e ele estava desprotegido, eu não fiz nenhum teste desde então e isso me preocupa um pouco", diz ele. Mas já havia um ano que Rowe havia sido diagnosticado como soropositivo. De volta para casaRowe ficou sob a custódia da polícia escocesa. Pagou fiança e pode ficar fora da prisão. Além de ser devidamente monitorado, precisou começar o tratamento contra o HIV. Ficou com os pais adotivos por três semanas. A mãe lembra que ele passou por várias famílias até ir morar com ela e o marido, quando tinha oito anos. Jacqui se lembra das cicatrizes no corpo de Rowe. Ele tinha sido queimado com água quente na infância. "Não teve o melhor começo de vida", diz a mãe, que também fala que nada justifica o comportamento de Rowe. Em novembro de 2016, 22 homens já havia denunciado Rowe por tentar contaminá-los intencionalmente. Depois de ficar uns dias com os pais, o cabeleireiro voltou a fugir. Chegou a Newcastle, ao norte da Inglaterra, usando o nome falso de Gary Cole. E foi com esse nome e perfil igualmente falso num aplicativo que conheceu Tom, um tímido rapaz que vivia com três cachorros. "Sempre me custou muito aproximar-me de outros homens", diz Tom. "Eu acho que deve ser por isso que eu sou tão ingênuo." Rowe usou seus encantos e convenceu Tom a deixá-lo ficar em sua casa por três meses. No entanto, não demorou muito para começar a manipulá-lo e tentar isolá-lo. "Ele praticamente me trancou em uma caixa, eu não podia nem ver o noticiário", diz ele. As polícias inglesa e escocesa acabaram chegando à casa de Tom. Rowe tentou escapar. Mas, dessa vez, não conseguiu. Quebrou uma vértebra ao tentar pular uma janela para ter acesso ao jardim do vizinho. Tom, que chegou a ficar detido por cinco horas, diz se sentir melhor somente porque não foi contaminado. Ao voltar para casa, Tom encontrou uma caixa com camisinhas numa das bolsas de Rowe. Estavam todas com as pontas cortadas. Prisão perpétua O caso de Daryll Rowe é significativo porque foi a primeira vez que alguém no Reino Unido é condenado por espalhar o vírus de forma intencional. Também é considerado um caso controverso por suscitar debates sobre a criminalização do HIV. Rowe foi condenado à prisão perpétua por lesão corporal grave. As mensagens que mandou aos parceiros foram usadas como evidência da intenção deliberada de infectar os homens com quem transou. Ao dar a sentença, a juíza Christine Henson descreveu seus crimes como "uma campanha determinada de ódio e violência ardilosa". Em entrevista à BBC, Rowe pediu desculpas e disse ter sido ingênuo e irresponsável. "Eu estava desenvolvendo uma relação doentia com o sexo", ele diz quando perguntado sobre seus crimes. "Quando fui diagnosticado, estava em negação e me convenci de que ia ser curado com urina, e quase usei isso como uma desculpa para continuar fazendo sexo desprotegido. Na minha cabeça eu pensava: 'Bem, isso deve ser bloqueado'". Ele diz esperar que algum dia seja perdoado. Mas, para as vítimas, a vida nunca mais será a mesma.
  8. É possível combater o envelhecimento com exercícios fisicos?

    Especialistas afirmam que se uma pessoa ativa de 80 anos tem uma fisiologia semelhante a um indivíduo de 50 anos, é a pessoa mais jovem que parece mais velha do que deveria, e não o contrário. Os professores Stephen Harridge (à esquerda) e Norman Lazarus, que tem 82 anos e o sistema imunológico de uma pessoa de 20 anos BBC Enquanto muita gente na faixa de 80 e 90 anos pode estar começando a desacelerar, Irene Obera, de 85 anos, faz o oposto. Ao bater vários recordes mundiais de atletismo na categoria para sua faixa etária, ela simboliza um grupo cada vez maior de "atletas masters" que estão no auge do que é fisicamente possível para uma idade mais avançada. Outro exemplo é John Starbrook, que no ano passado, aos 87 anos, se tornou o corredor mais velho a completar a maratona de Londres. Estudos indicam que a prática regular de exercício físico é mais eficaz que qualquer droga já inventada para prevenir condições que afetam os idosos, como a perda muscular. Para colher todos os benefícios, esse hábito deve ser estabelecido na adolescência ou por volta dos 20 anos. O que podemos aprender com atletas idosos? Estudar os atletas masters – com 35 anos ou mais – nos oferece uma ideia do que é fisicamente possível à medida que envelhecemos. Uma análise do tempo dos recordes mundiais para cada faixa etária revela, como era de se esperar, que a capacidade física diminui com o passar do tempo – mas só passa a cair mais rapidamente após os 70 anos. É razoável supor que esses atletas de ponta adotem de uma maneira geral um estilo de vida saudável; além de se exercitar, seguem uma dieta balanceada, não fumam, nem consomem muito álcool. Portanto, seus resultados podem nos ajudar a determinar quanto desse declínio se deve ao próprio processo de envelhecimento. O exercício pode retardar o processo de envelhecimento? O fato de os idosos que se exercitam terem uma saúde melhor em comparação aos que são sedentários pode levar as pessoas a acreditar que a atividade física pode retardar o processo de envelhecimento. Mas a realidade é que esses idosos ativos são exatamente como deveriam ser. Em um passado distante, éramos todos caçadores-coletores e nossos corpos foram desenvolvidos para serem fisicamente ativos. Portanto, se uma pessoa ativa de 80 anos tem uma fisiologia semelhante a um indivíduo de 50 anos, é a pessoa mais jovem que parece mais velha do que deveria, e não o contrário. Muitas vezes confundimos os efeitos da falta de atividade física com o próprio processo de envelhecimento, e acreditamos que certas doenças são puramente resultado da idade avançada. Na verdade, o estilo de vida sedentário moderno simplesmente acelera nosso declínio relacionado à idade. Isso contribui para o aparecimento de doenças como diabetes tipo 2, problemas cardiovasculares e câncer. Muitos de nós simplesmente não somos ativos o suficiente. Na Inglaterra, menos da metade dos jovens de 16 a 24 anos seguem a recomendação de praticar exercícios aeróbicos e de fortalecimento muscular; na faixa dos 65 a 74 anos, essa proporção cai para menos de um em cada 10. Qualidade de vida O exercício não só ajuda a prevenir o surgimento de muitas doenças, como também contribui para curar ou aliviar outras, melhorando nossa qualidade de vida. Estudos recentes com ciclistas amadores com idades entre 55 e 79 anos indicam que eles têm a capacidade de realizar tarefas diárias com muita facilidade e eficiência, porque quase todas as partes do seu corpo estão em ótimas condições. Os ciclistas também apresentaram pontuação alta em testes que medem agilidade de raciocínio, saúde mental e qualidade de vida. Quanto mais cedo você começar a se exercitar, melhor. Uma análise de adultos americanos com idade entre 50 anos e 71 anos mostrou que aqueles que se exercitaram entre duas e oito horas por semana desde a adolescência até os 60 anos uma chance de 29% a 36% menor de morrer em decorrência de qualquer causa ao longo do período de 20 anos em que o estudo foi conduzido. O estudo aponta que os jovens que praticam exercícios devem manter seus níveis de atividade elevados, mas também que aqueles com 40 anos ou mais podem se tornar mais ativos fisicamente e obter benefícios semelhantes. Atletas masters Em 2003, Martina Navratilova se tornou, aos 46 anos, a tenista mais velha a ganhar o torneio de Wimbledon – de duplas mistas – ao lado de Leander Paes. O atacante Kazuyoshi Miura, de 52 anos, do time de futebol japonês Yokohama FC, é o jogador profissional mais velho do mundo. Aos 73 anos, Otto Thaning se tornou o homem mais velho a atravessar a nado o Canal da Mancha, enquanto Linda Ashmore, de 71 anos, é a mulher mais velha a realizar o mesmo feito. Robert Marchand pedalou 22 quilômetros em uma hora em 2017 aos 105 anos, estabelecendo um novo recorde. Problemas modernos No mundo de hoje, somos capazes de driblar problemas relacionados ao sedentarismo nos apoiando na muleta da medicina moderna. Mas embora a nossa expectativa média de vida tenha aumentado muito rápido, o nosso "tempo de vida saudável" – período da vida que podemos aproveitar livre de doenças - não aumentou. Muitos dos que vão se beneficiar do aumento da expectativa de vida projetada até 2035 passarão seus anos extras com quatro doenças ou mais, de acordo com um estudo realizado na Inglaterra. Embora a medicina esteja evoluindo o tempo todo, o exercício pode fazer coisas que os medicamentos não conseguem. Por exemplo, atualmente, não existe remédio disponível para evitar a perda de massa e força muscular, principal fator responsável pela perda das funções físicas. Envelhecimento da população Ser mais ativo não faz bem apenas para os indivíduos, como também é vital para o funcionamento da nossa sociedade de uma maneira mais ampla à medida que ela envelhece. Em 2018, quase um em cada cinco britânicos tinha mais de 65 anos, enquanto um em cada 40 tinha mais de 85 anos. A previsão é de que o número de pessoas com 65 anos ou mais cresça mais de 40% nos próximos 16 anos. Uma pessoa de 85 anos custa, em média, cinco vezes mais que uma de 30 anos ao sistema público de saúde do Reino Unido (NHS, na sigla em inglês), indica a análise. O que você pode fazer? A maioria das pessoas não deve ter como meta ser um atleta de elite com uma idade avançada; isso não é necessário para ter uma saúde ideal. Em vez disso, o segredo é incorporar à rotina pequenas práticas regulares de atividade física - como caminhada acelerada ou dança de salão. A atividade física é um dos pilares de uma vida saudável. Ainda que você não seja um atleta profissional, começar a se exercitar regularmente aos 20 e 30 anos provavelmente trará muita satisfação mais à frente. E se você passou desta idade, se tornar ativo cuidadosamente vai fazer um bem enorme. Sobre este artigo Esta análise foi encomendada pela BBC a especialistas que trabalham para uma organização externa. Stephen Harridge é professor de Fisiologia Humana e Aplicada no King's College London. Norman Lazarus é professor emérito do King's College London e ciclista master com mais de 80 anos.
  9. Glifosato: decisão da justiça americana associa agrotóxico liberado no Brasil a câncer

    O grupo alemão Bayer, que comprou a Monsanto, rejeitou fortemente as acusações de que o herbicida Roundup, à base de glifosato, seja cancerígeno. Herbicidas Roundup, da Monsanto Arquivo/Mike Blake/Reuters Um júri de San Francisco, nos Estados Unidos, decidiu na terça-feira (19) que o agrotóxico mais usado do Brasil e no mundo foi um "fator importante" no desenvolvimento do câncer de um homem. Ações da Bayer desabam após novo júri relacionar Roundup a câncer Trata-se do herbicida Roundup, à base de glifosato, principal ingrediente ativo de diversos pesticidas usados em plantações e jardins. No mês passado, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) propôs manter liberada a venda de glifosato no Brasil, já que não haveria evidências científicas de que a substância cause câncer, mutações ou má formação em fetos. O grupo alemão Bayer, que comprou a Monsanto, fabricante do produto, rejeitou fortemente as acusações de que a substância seja cancerígena. Mas o júri decidiu por unanimidade que o pesticida contribuiu para o linfoma não Hodgkin (LNH) de Edwin Hardeman, de 70 anos, que vive na Califórnia. A próxima etapa do julgamento vai considerar a responsabilidade e os danos causados pela Bayer. Durante a segunda fase, que começa nesta quarta-feira, espera-se que os advogados de Hardeman apresentem evidências mostrando os supostos esforços da Bayer para influenciar cientistas, agências reguladoras e a opinião pública sobre a segurança de seus produtos. O grupo alemão, que adquiriu o Roundup como parte da aquisição da concorrente americana Monsanto por US$ 66 bilhões, disse que ficou desapontada com a decisão inicial do júri. "Estamos confiantes de que as evidências na segunda fase vão mostrar que a conduta da Monsanto foi apropriada e que a empresa não deve ser responsabilizada pelo câncer de Hardeman", declarou a empresa. A Bayer continua "a acreditar firmemente que a ciência confirma que os herbicidas à base de glifosato não causam câncer". Este é o segundo processo de cerca de 11,2 mil ações judiciais contra o Roundup a ir a julgamento nos EUA. Em agosto do ano passado, a Monsanto foi condenada em primeira instância pela Justiça americana a pagar US$ 289 milhões (R$ 1,1 bilhão) a um homem com câncer - ele alegava que a doença foi causada por herbicidas da empresa, como o Roundup. As ações da Bayer despencaram na época. A indenização foi posteriormente reduzida para US$ 78 milhões e está em fase de recurso. Uso frequente A Bayer argumenta que décadas de estudos e avaliações regulatórias mostraram que o agrotóxico é seguro para uso humano. Hardeman usou o herbicida com regularidade de 1980 a 2012 em sua propriedade em Sonoma County, na Califórnia, e acabou sendo diagnosticado com linfoma não Hodgkin, que tem origem nas células do sistema linfático. Seus advogados, Aimee Wagstaff e Jennifer Moore, afirmaram em comunicado conjunto que seu cliente estava "satisfeito" com a decisão. "Agora podemos nos concentrar nas evidências de que a Monsanto não adotou uma abordagem objetiva e responsável para a segurança do Roundup", acrescentaram. "Em vez disso, fica claro pelas ações da Monsanto que a empresa não se importa particularmente se seu produto está, de fato, causando câncer às pessoas, e em contrapartida se concentra em manipular a opinião pública e enfraquecer quem levanta preocupações genuínas e legítimas sobre a questão." Outro julgamento envolvendo o Roundup está marcado para começar no dia 28 de março no tribunal estadual de Oakland, também na Califórnia - um casal com linfoma não Hodgkin afirma que a doença foi causada pelo pesticida. O que é glifosato? O glifosato foi introduzido pela Monsanto em 1974, mas sua patente expirou em 2000, e agora o produto químico é vendido por vários fabricantes. Nos EUA, mais de 750 produtos contêm a substância. Em 2015, a Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer, da Organização Mundial de Saúde (OMS), concluiu que o glifosato era "provavelmente cancerígeno para humanos". No entanto, a Agência de Proteção Ambiental dos EUA insiste que é seguro quando usado com cuidado. A Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA, na sigla em inglês) também afirma que é improvável que o glifosato cause câncer em humanos. Em novembro de 2017, os países da União Europeia votaram para a renovação da licença do glifosato, apesar das campanhas contra a substância.
  10. Carne artificial: os cientistas britânicos que estão criando bacon em laboratório

    Pesquisas com proteína animal de laboratório buscam um futuro em que não precisemos abater animais para nos alimentar; além disso, reduz emissões e consome menos água. Diversos projetos buscam produzir proteína animal artificial em larga escala, mas produtos ainda não estão sendo comercializados BBC Cientistas britânicos da Universidade de Bath estão dando novos passos em direção à produção de carne artificial, com o cultivo em laboratório de células animais. Se o processo puder ser reproduzido em escala industrial, é possível que amantes de carne venham a ter à sua disposição um suprimento infinito de bacon, mas sem a necessidade de obtê-lo com o abate de animais. A engenheira química Marianne Ellis, líder do projeto na Universidade de Bath, acredita que a carne artificial possa ser, mais adiante, "uma fonte alternativa de proteína para alimentar o mundo". Em seu laboratório, ela cultiva células de porco que podem, algum dia, levar à produção de bacon. No futuro, a expectativa é de que, a partir da biópsia de um porco, seja possível isolar suas células-tronco, criar mais células a partir destas e colocá-las em um biorreator que as expanda. Assim, é possível obter um generoso suprimento de bacon - e o porco contunua vivo. No entanto, ainda serão necessários anos de pesquisa para replicar o sabor e a textura idênticos ao bacon original. Experimento com grama Proteínas animais reproduzidas em laboratório ainda não estão no mercado, mas são amplamente estudadas pela ciência. Em 2013, uma equipe holandesa criou o primeiro hambúrguer de laboratório, enquanto cientistas em Israel produziram um bife com células criadas em laboratório em 2018. Ao mesmo tempo, uma empresa americana chamada Just afirmou que seus nuggets de frango, feitos a partir de células de penas de galinhas ainda vivas, em breve estarão disponíveis em restaurantes. De volta a Bath, para criar a estrutura da carne artificial, a equipe de Ellis está conduzindo seus experimentos com algo natural: grama. Os pesquisadores cultivam células de roedores sobre "andaimes" de grama. "A ideia é, basicamente, dar 'grama para nossas células comerem', em vez de dar grama para uma vaca e daí comer a vaca", explica Scott Allan, estudante de pós-graduação em engenharia química e participante do projeto. Para o resultado final disso não ser puramente um tecido de músculo, os cientistas buscam formas de acrescentar células de gordura e outras células conectoras que ajudem a dar mais gosto e textura à proteína. Outro desafio futuro é produzir carne do tipo em larga escala para fins comerciais. "Estamos tentando projetar biorreatores, e o processo biológico em torno desses reatores, para cultivar células de músculo em larga escala, de um modo que seja econômico, seguro e de alta qualidade", diz Ellis. "Assim conseguiríamos fornecer as células de músculo como carne de laboratório para todas as pessoas que queiram consumi-la." Ela almeja que as "células primárias" desse processo venham de um animal vivo ou recém-abatido, ou então de células "imortalizadas" deles, que continuem a se dividir e multiplicar. "Com isso, não seria necessário abater animais, (já que) teríamos uma célula imortal que poderia ser usada para sempre." Não mata, não polui e gasta menos água A expectativa de pesquisadores é de que a carne in vitro atraia pessoas preocupadas com o abatimento de animais e com os impactos ambientais causados pela pecuária de larga escala. Richard Parr é diretor-gerente na Europa do Instituto Good Food (boa comida, em tradução livre), uma ONG que promove alternativas para a produção agrícola tradicional. Na opinião dele, a carne artificial também tem a potencial vantagem de usar muito menos água e espaço do que a pecuária atual, além de produzir menos dióxido de carbono, poupar bilhões de animais de sofrimento e ajudar a combater problemas de contaminação alimentar. Alguns estudos, no entanto, apontam que talvez a produção de carne artificial consuma mais energia do que a produção de carne natural - embora essa conta não leve em consideração o uso de água e de terra para criar gado. Segundo Marianne Ellis, apesar disso, a maioria das projeções atuais parecem indicar que a proteína in vitro deve reduzir a emissão de gases do efeito estufa. Ela também acredita que, no futuro, seu projeto vai conviver com a agricultura e a pecuária tradicionais. Mudanças futuras Illtud Dunsford, cofundador com Ellis da start-up de biotecnologia Cellular Agriculture, vem de uma longa linha familiar de agricultores tradicionais no País de Gales, mas defende que, no futuro, será necessário alocar mais terras para a proteção natural, reduzindo (sem eliminar) o espaço destinado a criação de gado. "Na minha pequena fazenda no oeste do País de Gales, idealmente gostaria de ver a manutenção de uma série de raças tradicionais de gado em uma escala muito pequena, e com níveis de bem-estar (animal) excepcionalmente altos", opina ele. "O produto derivado de seu uso no gerenciamento de terras - seja para limpar a terra ou para restaurar pastos - seria a colheita de células para cultivar carne artificial." Acredita-se que a carne in vitro não estará pronta para a comercialização em grande escala por pelo menos mais cinco anos. Resta saber se as pessoas terão vontade de comê-las - uma pesquisa feita no Reino Unido apontou que 20% dos consumidores gostariam de experimentá-las; 40% não gostariam; e os 40% restantes não têm opinião formada. Em geral, pessoas mais jovens e moradores de áreas urbanas demonstraram mais interesse no produto.
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