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  1. “Não vou desistir, mas não ficarei insistindo”, diz Lucia Hippolito

    Em 2022, completará uma década que a comentarista política foi vítima da síndrome de Guillain-Barré, doença que a deixou sem movimentos Conheci Lucia Hippolito na década de 1990, quando dava aulas de História sobre o período republicano para os jornalistas de “O Globo”, e eu não perdia uma. Em 2002, quando me tornei diretora da CBN, a convidei para fazer o quadro “Por dentro das eleições” – era o ano que consagraria Lula nas urnas. Ela seria uma espécie de “professora” dos ouvintes, mas foi muito além de todas as expectativas. O magistério ficou para trás e a migração para o jornalismo foi um sucesso: primeiro, como comentarista de diversos veículos, com destaque para a participação no grupo das “Meninas do Jô”; em seguida, tornando-se âncora de rádio, à frente do programa “CBN Rio”. A comentarista política Lucia Hippolito: vítima da síndrome de Guillain-Barré há quase dez anos Mariza Tavares Em 2012, vivia sua melhor fase profissional. Em abril, em viagem de férias a Paris, cidade que costumava visitar duas vezes por ano, estava de malas prontas para voltar quando perdeu completamente os movimentos – ali começava uma jornada de provações que completará uma década. Lucia foi vítima de uma forma gravíssima da síndrome de Guillain-Barré, doença autoimune que afeta os grupos musculares. Atendida no centro hospitalar universitário Salpêtrière, um dos maiores da França, foi transferida para uma unidade do Instituto Pasteur especializada na enfermidade. Foram três meses de internação, sendo que 48 dias intubada, tendo o marido, o educador e empresário Edgar Flexa Ribeiro, ao seu lado o tempo todo. “Como eu só movimentava os olhos, Edgar providenciou um cartaz onde escreveu as letras e eu ia piscando para formar palavras e frases”, lembra. No delicado voo de retorno, um médico e um enfermeiro brasileiros a acompanharam e houve necessidade de um equipamento para fazer os pulmões funcionarem. Pacientes acometidos com a síndrome costumam levar meses para se recuperar. De acordo com o Ministério da Saúde, apenas 15% não apresentam qualquer sequela, mas uma porcentagem pequena, entre 5% e 10%, manifestam um quadro incapacitante. Esse foi o caso de Lucia que, tetraplégica, ficou presa a uma cadeira de rodas. Quase um ano e meio de fisioterapia de ponta na Rede Sarah, em Brasília, a fez retomar, temporariamente, o movimento parcial das mãos. Eu a visitei há cerca de dez dias em seu apartamento, na Zona Sul carioca, onde três cuidadoras se revezam – “Monique, Dina e Patrícia são minhas pérolas”, afirma. Aos 71 anos, sua rotina se divide entre sessões de fisioterapia, física e respiratória, e fonoaudiologia, para ajudar com as dificuldades de deglutição. Semanalmente, recebe uma injeção de antibiótico, para prevenir infecções oportunistas, já que passa boa parte do tempo deitada. “Foram sete idas ao hospital nos últimos seis meses, mas consigo sair para comprar as orquídeas que enfeitam a casa”, diz. Não usa mais a sonda para nutrição enteral e se permite alguns pequenos prazeres gastronômicos. Vem relendo clássicos como “Ilíada” e “Odisseia”, tem preferência por séries históricas e acompanha o noticiário político pela televisão. Relata que mergulhou em longos períodos de depressão, mas atingiu um patamar de serenidade: “eu estava conseguindo segurar uma taça de vinho, mas, depois de uma internação causada por uma pneumonia, as mãos se atrofiaram novamente. Agora tomo vinho com canudinho. Também desenvolvi uma insuficiência cardíaca mas, se tudo der certo, em fevereiro eu e Edgar vamos comemorar 50 anos de casados. Tenho muito orgulho da minha vida, do que construí. Fui professora, servidora pública e a primeira mulher a ser chefe de gabinete da presidência do IBGE. Lutei contra a ditadura e pelas Diretas Já, fui jornalista e radialista. Não me arrependo do que fiz, nem do que não fiz. Gostaria de visitar Paris uma última vez, mas sei que isso não será possível. Mas, para o hospital, não voltarei. Decidi que não vou desistir, mas não ficarei insistindo”.
  2. Fiocruz faz pesquisa sobre trabalho de profissionais de saúde que atendem indígenas durante a pandemia da Covid
    De acordo com a instituição, este contingente é formado por cerca de 20 mil pessoas que ocupam diversas funções como médicos, enfermeiros, cirurgiões-dentistas, psicólogos e nutricionistas, entre outros. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) vai investigar as transformações causadas pela pandemia da Covid nas condições de trabalho e saúde mental dos trabalhadores que atuam na assistência a povos indígenas no território brasileiro. De acordo com a instituição, este contingente é formado por cerca de 20 mil pessoas. A pesquisa “Os Trabalhadores da Saúde Indígena: Condições de Trabalho e Saúde Mental no Contexto da Covid-19 no Brasil” conta com um questionário que vai revelar o perfil sociodemográfico, a jornada de trabalho, as condições e o nível de proteção durante o exercício de sua atividade, além das alterações provocadas pela pandemia na vida pessoal e profissional desses trabalhadores que prestam assistência aos povos indígenas. A coleta de dados contempla líderes religiosos dos grupos, Agentes Indígenas de Saúde (AIS) e Agentes Indígenas de Saneamento (Aisan), condutores de ambulância, ambulancha, motolancha, barqueiro e pilotos de aeronaves, além dos médicos, enfermeiros, cirurgiões-dentistas, psicólogos, nutricionistas, farmacêuticos, fisioterapeutas, assistentes sociais e outros trabalhadores. Os profissionais podem responder o questionário de maneira on-line.
  3. Nutricionista apresenta a Ayurveda como o caminho para um envelhecimento ativo

    “Sempre há possibilidade de melhora da qualidade de vida e da saúde como um todo, temos apenas que estar dispostos a fazer algo novo”, afirma Laura Pires em seu mais recente livro Aos 23 anos, depois de começar a perder a visão periférica dos dois olhos, Laura Pires foi diagnosticada com esclerose múltipla. O cenário que se descortinava era o de um tratamento pesado com corticoides, mas ela preferiu pegar um avião para a Índia. Era o início de uma longa jornada, que descreve em seu site como a de uma lagarta que aprenderia a voar como borboleta. A reboque ocorreu também uma virada profissional: abraçou a nutrição como nova carreira, incorporando os ensinamentos da Ayurveda em seu trabalho. A autora do livro, Laura Pires Divulgação Autora de “O sabor da harmonia” e “Nutrindo seus sentidos”, seu recém-lançado “Longevidade” (Editora Rocco) vai muito além das receitas ayurvédicas. Embora a alimentação seja uma questão fundamental na obra, ela aborda os diferentes pontos que envolvem um envelhecimento ativo e saudável. Antes de continuar, uma pequena pausa para detalhar o que é a Ayurveda que, como Laura descreve, é “um sistema de medicina, uma filosofia, um modo de viver”. Vem do sânscrito e é a união de “ayu”, que significa vida, e “veda”, conhecimento – do corpo, dos sentidos, da mente, da alma. Em resumo, uma análise e terapia holísticas que constam das práticas integrativas e complementares em saúde, com a chancela do Ministério da Saúde desde 2019. Caldinho de feijão com couve Divulgação Cursando uma pós-graduação em gerontologia, a nutricionista dá explicações sobre as alterações no tônus muscular e no sistema imunológico, detalhando a ação dos radicais livre que danificam as células, através de raios ultravioletas, alimentação desequilibrada, poluição, estresse. E lembra que, se não temos a eternidade, podemos nos empenhar para transformar o processo de envelhecimento: “sempre há possibilidade de melhora da qualidade de vida e da saúde como um todo; temos, muitas vezes, apenas que estar dispostos efetivamente a fazer algo novo. Não precisa ter a rotina, a alimentação ou a casa perfeita, as condições perfeitas. Elas não existem todas juntas ou para sempre. Seja ativo e encontre ‘brechas’ em meio às dificuldades para buscar uma transformação”. Ao final de cada capítulo, há perguntas sobre o autocuidado: com que frequência a pessoa tem adoecido, se tem ido ao médico e realizado exames, como anda sua disposição e vitalidade. Para a Ayurveda, Dharma é nosso propósito de vida, nosso caminho, e há dois tipos de terapia: Shamana e Shodhana. Shamana são as terapias de pacificação dos desequilíbrios que estão ocorrendo, para evitar que se tornem uma patologia. Shodana são as de purificação, desintoxicação. Os alimentos são substratos para que o Agni aja no organismo. Trata-se da representação das funções metabólicas, regulando a digestão e a absorção dos nutrientes. Os sintomas de que há desequilíbrio são azia, prisão de ventre, gases, náuseas, falta ou excesso de apetite, entre outros. Rasayana é o conjunto de práticas para a longevidade ativa; Dinacharya, a rotina de práticas saudáveis. Laura sugere uma mudança gradativa. Para começar, um diário sincero, listando tudo o que se consome. Depois de cinco dias, fazer um círculo verde em torno dos produtos in natura, frescos, e outro, vermelho, em torno dos processados e ultraprocessados. Propõe mudar aos poucos a dieta e lista as propriedades de diversos alimentos e suas características ayurvédicas. Para fechar, compartilha receitas que incluem infusões para ajudar no sono e sopas terapêuticas, como yavagoo, com arroz; e yush, à base de feijão ou ervilha. Capa do livro "Longevidade: nutrição e Ayurveda para um envelhecimento ativo" Reprodução
  4. Envelhecer é sinônimo de pegar leve? Nada disso!

    Estudo de Harvard afirma que é indispensável se manter fisicamente ativo na velhice Todo mundo conhece as virtudes de se exercitar, mas poucos sabem como a atividade física se tornou parte da biologia humana, processo analisado por um grupo de pesquisadores da Universidade Harvard. De acordo com o estudo, a longevidade está associada ao fato de as pessoas se manterem ativas. Esta seria a chave para retardar a gradual deterioração do organismo e protegê-lo de doenças crônicas como as cardiovasculares, diabetes tipo 2 e alguns tipos de câncer. “Há uma crença generalizada no Ocidente de que, à medida que envelhecemos, devemos desacelerar, fazer menos coisas e sair de cena. Nossa mensagem é o oposto: é ainda mais importante estar fisicamente ativo na velhice”, afirmou Daniel Lieberman, autor sênior do trabalho e especialista em biologia evolutiva. Homem em bicicleta: estar fisicamente ativo na velhice é um dos segredos da longevidade Pixabay A boa notícia para os sedentários que, só de ler o começo da coluna já começam a se lamentar, é que não precisamos agir como nossos antepassados caçadores-coletores, que gastavam mais de duas horas por dia em busca de alimento. Mesmo períodos curtos de atividade – dez ou 20 minutos diários – são suficientes para diminuir o risco de mortalidade. Os pesquisadores mostram que, além de queimar calorias, exercitar-se é algo fisiologicamente estressante, mas a resposta do corpo a esse impacto é torná-lo mais forte e resistente. Isso inclui a recuperação de fibras musculares, cartilagens e até microfraturas; e a liberação de antioxidantes e anti-inflamatórios na corrente sanguínea. “Como evoluímos para sermos ativos ao longo da vida, nossos corpos necessitam de atividade física para envelhecer bem”, resumiu Lieberman. Emendo com outra pesquisa, publicada no “BMJ Open”, que associa o trabalho doméstico a uma memória mais afiada e maior proteção contra quedas entre idosos. O estudo foi realizado com 489 pessoas entre 21 e 90 anos, divididas em dois grupos: um com participantes até 64 anos, classificado como o dos mais jovens; e outro com indivíduos entre 65 e 90, com idade média de 75. Todos responderam a um questionário sobre suas atividades físicas: domésticas, esportivas ou de lazer. Os pesquisadores também dividiram as atividades domésticas em dois tipos: leves (lavar louça, espanar móveis, fazer a cama e cozinhar) e pesadas (limpeza de vidros, varrer ou usar aspirador no chão, trocar a roupa de cama). Apenas 36% dos integrantes do grupo “jovem” e 48% do grupo idoso atingiam o nível recomendável de exercício através do esporte ou lazer; no entanto, o percentual subia para 61% e 66%, respectivamente para cada time, quando a avaliação se referia ao trabalho doméstico. Para quem não está totalmente convencido, aceno com um terceiro estudo: a atividade física pode levar a um cenário mais positivo para quem sofre de Doença de Alzheimer, porque diminui o nível de inflamação no cérebro. As micróglias são células do sistema nervoso central que têm função de vigilância semelhante à dos glóbulos brancos na corrente sanguínea: são ativadas para “enxotar” invasores. Entretanto, um excesso de ativação pode provocar inflamação e danificar os neurônios, mas o exercício é capaz de funcionar como um regulador para evitar que isso ocorra. O trabalho foi publicado na “JNeurosci”, revista científica da Sociedade para a Neurociência.
  5. Congresso Brasileiro de Cardiologia enfatiza a importância da espiritualidade

    Sentimento de autoconhecimento e crença na possibilidade da autodeterminação levam a uma melhor adesão às orientações dadas pelos profissionais de saúde No domingo passado, uma das apresentações do 76º. Congresso Brasileiro de Cardiologia, que foi realizado virtualmente, me chamou atenção porque, embora o assunto não seja egresso dos compêndios de medicina, tem ganhado cada vez mais espaço nos consultórios: a espiritualidade. A primeira vez que o blog tratou desse conteúdo foi em 2016 e, de lá para cá, sua relevância só aumentou. De acordo com o cardiologista Fernando Nobre, um dos palestrantes, “a espiritualidade reforça o sentimento de autoconhecimento, autoconfiança e crença na possibilidade da autodeterminação, com uma visão positiva do mundo e do futuro que traz benefícios incontestes para uma melhor adesão às orientações dadas pelos profissionais de saúde”. E aqui não se está falando de religiosidade. O Gemca (Grupo de Estudos em Espiritualidade e Medicina Cardiovascular) a define como o “conjunto de valores morais, mentais e emocionais que norteiam pensamentos, comportamentos e atitudes nas circunstâncias da vida de relacionamento intra e interpessoal”. Ainda segundo o doutor Nobre, busca recente no PubMed, que fornece citações e artigos no campo da biomedicina, apresentou 1.757 estudos nessa área, sendo que 961 produzidos nos últimos cinco anos, o que dá a dimensão do interesse pelo tema. Espiritualidade: médicos a associam ao sentimento de autoconhecimento e à crença na possibilidade da autodeterminação, levando a uma melhor adesão às orientações dadas pelos profissionais de saúde Pixabay A cardiologista Lucelia Magalhães, professora da faculdade de medicina da Universidade Federal da Bahia, afirmou que abordar a questão deveria fazer parte da consulta de rotina: “são informações que integram a história psicossocial do paciente, por isso devem estar no fluxo normal da entrevista. É fundamental entender as crenças e a espiritualidade para identificar aspectos que interfiram nos cuidados à saúde. Dessa forma podemos avaliar a força espiritual individual, familiar ou social que permitirá o enfrentamento da doença”. Ela ressaltou que a conversa não deve ser pautada por nenhum juízo de valor, nem promover práticas religiosas. No entanto, apesar da importância de se levantar esse perfil no caso de doenças graves, crônicas ou de prognóstico reservado, ou nas intervenções terapêuticas de alto risco, a abordagem deve ser evitada em situações agudas ou de instabilidade. Há escalas para medir o nível de religiosidade/espiritualidade dos pacientes, como a Durel, FICA, Hope, Faith e Spirit. São perguntas que vão da frequência com que a pessoa vai à igreja ao tempo que dedica a atividades espirituais, como preces ou meditação – esta última, por exemplo, tem sido empregada com sucesso para auxiliar na redução da pressão arterial. Os estudos apontam para o peso de tais crenças e sentimentos na adesão e decisões relativas ao tratamento e, consequentemente, a um prognóstico positivo. Essa é mais uma indicação de que saúde não é simplesmente a ausência de enfermidade, e sim um estado de bem-estar físico, psíquico, emocional e social, como preconiza a Organização Mundial da Saúde (OMS). É por isso que não podemos perder de vista nossa estreita relação com o equilíbrio do planeta. A reboque do encerramento da COP26, a conferência do clima das Nações Unidas, especialistas alertaram que a previsão de ondas de calor intenso representa um enorme impacto na saúde cardiovascular. A publicação foi divulgada no “Canadian Journal of Cardiology” no dia 18 de novembro.
  6. 'Cistite de lua de mel': entenda a doença

  7. 'O livro da Belle' é uma tocante jornada sobre o luto

    Carlos Alberto Sardenberg rende uma homenagem à mulher e não se furta a mostrar o doloroso processo de lidar com a perda “O livro da Belle: histórias de mulheres” é, na verdade, a jornada do luto do âncora e comentarista de assuntos econômicos Carlos Alberto Sardenberg. Belle é a psicanalista Cybelle Weinberg, especialista em transtornos alimentares e sua companheira desde 1995, que morreu em 2019, vítima de um agressivo câncer de mama. Hoje, ele vai lançar o livro em São Paulo; na terça-feira, no Rio. Será uma homenagem à mulher, mas também o fecho do longo processo de lidar com a perda. “Eu sabia o que Cybelle estava escrevendo. Ela me mostrou alguns textos, consultou sobre outros, discutiu projetos. Eu a via escrevendo no seu laptop e sempre arquivando num mesmo pendrive. Depois de sua morte, fiquei um bom tempo sem mexer em nada. Quando tive coragem de ler, fiquei encantado. Ela me apareceu inteira. Precisava publicar, por ela e por mim. Foi doloroso, prolongou o luto, mas quando o livro ficou pronto, me baixou uma estranha sensação: tristeza e alegria ao mesmo tempo. É como estou”, me descreve Sardenberg, com quem tive o prazer de conviver entre 2002 e 2016, quando dirigi a rádio CBN. Cybelle e Sardenberg abraçados Acervo pessoal Em 2010, diagnosticada com um câncer de mama com bom prognóstico de cura, fez questão de não desmarcar a festa dos seus 60 anos, que comemorou junto com a mãe, que completava 90: o convite, bem-humorado, fazia alusão a um aniversário de 150 anos! Eu estive lá e fui testemunha da alegria contagiante do ambiente. Belle e Sardenberg compartilhavam prazeres: viagens, boa comida, vinhos e os netos de um e de outro – não tinham filhos juntos – eram mimados por ambos sem distinção. Em 15 de fevereiro de 2017, um novo diagnóstico de câncer de mama, desta vez muito agressivo. Foram 2 anos e oito meses de cirurgias, quimioterapia, radioterapia e grande sofrimento físico. Foi também uma fase de viagens, consultório cheio e o lançamento do livro “Faces do martírio”, baseado em sua tese de doutorado e lançado sete meses antes da sua morte. Belle era assim: ação, movimento, vitalidade. Com o neto caçula, numa das últimas viagens do casal Acervo pessoal Sardenberg reuniu um mosaico: notas esparsas sobre o universo feminino, artigos, relatos sobre a doença que enfrentava e até o projeto para um livro sobre mulheres sem limites, que chamava de “excessivas”. Na primeira parte, “A segunda vida das mulheres” trata do poder da maturidade feminina. Reproduzo um trecho pelo qual me encantei e que se chama “Novas relações”: “Homens mais velhos atraídos por mulheres jovens: capacidade de reprodução delas. Fato novo: jovens atraídos por mulheres mais velhas não pela beleza, mas justamente pela experiência, pela arte da sedução, pela liberdade e risco zero de gravidez. Foi-se o tempo em que só o lobo comia a vovozinha... Mulheres na segunda vida: mais inventivas. Claramente diferentes da outra vida. Homens repetem a fórmula, casando-se novamente com mulheres mais jovens e tendo filhos. A segunda vida é mais intensa que a primeira, especialmente para as mulheres.” A última parte é “A história de Belle”, escrita por Sardenberg, que começa quando se conheceram: ele havia sido seu professor num cursinho de pré-vestibular. No início de 2019, diante de um quadro de metástases recorrentes, Belle perguntou a seu médico: “seja franco. No meu lugar, o que você faria?”. A resposta não deixava margem para dúvida: “eu fecharia o consultório, ia viajar, curtir as coisas de que você gosta”. Começou a transferir os pacientes para outros colegas e tinha planos de, no fim do ano, se mudar para a casa que tinham em Atibaia. Em setembro, o casal viajou para Paris. Em 14 de outubro, seu corpo perdeu a guerra para o câncer. Sardenberg colocou suas cinzas numa taça de Bordeaux e as espalhou ao pé das árvores que ela havia plantado, nas pedras do orquidário e na base da cascata do condomínio em Atibaia, onde tantas vezes os dois apreciaram o fim da tarde. Capa de “O livro de Belle” Reprodução
  8. Em busca de novas abordagens para o tratamento de demências

    Além da maconha medicinal, robôs pets melhoraram sintomas como ansiedade, agressividade e depressão dos pacientes Robô pet é testado como opção em novas abordagens para o tratamento de demências No domingo, a coluna abordou o potencial da medicina canabinoide no tratamento de diversas doenças. Hoje quero me dedicar às demências, porque o envelhecimento da população mundial vai fazer disparar o número de casos, principalmente em países de renda baixa e média – lugares onde adotar um estilo de vida saudável é mais desafiador. Receber um diagnóstico desse tipo de enfermidade talvez seja um dos maiores temores que qualquer um possa enfrentar, por isso é tão importante discutir diferentes formas de lidar com a questão. O pet robô responde aos carinhos: os gatinhos ronronam, miam, viram a cabeça e piscam para os idosos com demência Florida Atlantic University Digo isso porque me causou grande impacto reportagem investigativa do jornal “The New York Times”, publicada recentemente, sobre o alto percentual de idosos vivendo em asilos que eram medicados com drogas antipsicóticas: 21% deles usavam tais remédios. O mais perturbador era o fato de muitos estarem sendo diagnosticados, sem qualquer evidência, como portadores de esquizofrenia. O medicamento serviria para manter a pessoa sob controle – na verdade, numa espécie de camisa de força. É o que se chama de contenção química, uma violência que ganha contornos ainda mais dramáticos se levarmos em conta que antipsicóticos são perigosos para indivíduos com demência, dobrando o risco de problemas cardíacos, infecções e quedas. É verdade que pacientes com demência podem apresentar comportamento agressivo, desestruturando famílias e cuidadores, mas a utilização da maconha medicinal é um caminho para evitar outras drogas com tantos efeitos adversos. O assunto engatinha entre geriatras, neurologistas e clínicos, embora todos concordem que os mais velhos consomem um volume excessivo de remédios. A situação aumenta o risco de iatrogenia, que se caracteriza justamente quando a interação das substâncias que compõem diferentes medicamentos leva a um quadro de complicações. Médicos e familiares deveriam se aliar em busca da desprescrição de remédios e de opções da chamada medicina complementar, que inclui acupuntura e fitoterapia. No final de outubro, foi divulgada pesquisa sobre os bons resultados obtidos com pets robôs, melhorando o humor, comportamento e cognição de idosos com demência com sintomas como ansiedade, agressividade e depressão. Pesquisadores da Florida Atlantic University testaram a eficácia de robôs interativos de custo relativamente baixo com adultos que sofriam de demência de moderada a intermediária. Os participantes foram avisados de que os pets não eram animais de verdade, mas foram observadas reações como sorrisos e conversas carinhosas com os gatinhos – que foram devidamente nomeados por seus “donos”. “Como não há cura para a demência, nosso projeto oferece uma abordagem não farmacológica para lidar com os sintomas”, afirmou Bryanna Streit LaRosa, doutora em enfermagem e autora sênior do estudo. Pense em como você gostaria que seus entes queridos fossem tratados. Pense em como gostaria de ser tratado.
  9. “A medicina canabinoide é uma revolução”, diz a psiquiatra Ana Hounie

    Maconha medicinal pode ser empregada com sucesso no tratamento de demências, hipertensão e outras doenças A psiquiatra Ana Gabriela Hounie tem doutorado e pós-doutorado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Também é especialista em Síndrome de Tourette e transtorno obsessivo compulsivo. O efeito devastador dessas doenças a levou a se interessar, na década de 1990, pela utilização da Cannabis sativa como método terapêutico. No entanto, teve que esperar até 2015, quando a prescrição da maconha medicinal foi liberada pela Anvisa. De lá para cá, já atendeu a mais de 400 pacientes que fazem uso desse tipo de medicação, mas não parou por aí. Diante dos resultados positivos, começou a dar cursos para outros médicos se tornarem prescritores – cerca de 500 até agora, segundo sua estimativa. “A medicina canabinoide tem um amplo espectro de utilização em patologias neurodegenerativas, como demências, Parkinson, esclerose múltipla ou paralisia supranuclear progressiva. Apesar disso, a medicina tradicional só segue o que é publicado em periódicos científicos ou foi aprovado pelo FDA (Food and Drug Administration, o equivalente à Anvisa nos EUA). Ainda há poucos estudos publicados e nenhum interesse por parte da indústria farmacêutica, porque seu objetivo é sintetizar novas drogas e ganhar milhões com a patente, mas as famílias testemunham as mudanças dos pacientes: pessoas com demência que voltam a reconhecer os filhos e a se alimentar sozinhos. É uma revolução”, afirma, antecipando que está finalizando, juntamente com 100 colegas, entre médicos e outros profissionais, um tratado sobre a Cannabis medicinal, livro que será lançado em breve. A psiquiatra Ana Gabriela Hounie: “a medicina canabinoide tem um amplo espectro de utilização em patologias neurodegenerativas, como demências, Parkinson e esclerose múltipla” Divulgação E como a maconha se torna um medicamento tão promissor? Nosso cérebro tem receptores (CB1 e CB2) que são estimulados por canabinoides que, por serem produzidos pelo organismo, são chamados de endocanabinoides, responsáveis por uma extensa lista de funções, incluindo ansiedade e humor. A maconha, por sua vez, tem centenas de compostos químicos, entre eles o CBD (canabidiol) e o THC (tetraidrocanabinol) – mais recentemente, outros começaram a ser estudados, como o canabigerol. Tais compostos são fitocanabinoides, isto é, também são canabinoides e, por este motivo, conseguem estimular os receptores humanos com eficiência. Resumindo: podemos nos valer dos medicamentos derivados da maconha para reparar nosso circuito interno. “O organismo sofre ataques contínuos que vão se acumulando e o CBD é anti-inflamatório. O mecanismo da Doença de Alzheimer é o de uma neuroinflamação, e o THC consegue dissolver placas amiloides que vão se depositando, restabelecendo a comunicação neuronal. Eles abaixam a pressão, diminuem a resistência à insulina, melhoram a função da tireoide, ou seja, levam à desprescrição de medicamentos como antihipertenstivos e metforminas”, explicou a psiquiatra, acrescentando que foi somente nos anos de 1990 que a ciência passou a descrever o sistema endocanabinoide. Nos EUA, o medicamento dronabinol, produzido à base de THC, era receitado para pacientes oncológicos, submetidos à quimioterapia, ou com HIV, para estimular o apetite. Ao ser usado em casas de repouso em idosos portadores de demência com dificuldades para se alimentar, o resultado foi duplamente positivo: melhorou o apetite e diminuiu a agressividade dos doentes. Hoje há quase 60 milhões de pessoas com demência no mundo e esse número deve triplicar até 2050. Está na hora de espanar o mofo das ideias.
  10. Ministério da Saúde valida imunização de pessoas que receberam lotes da CoronaVac suspensos

    Em nota publicada no dia 12, pasta afirma que doses que já tinham sido aplicadas são válidas pois não foram encontrados eventos adversos. Em setembro, Anvisa determinou recolhimento de lotes envasados em fábrica não autorizada. Butantan substituiu imunizantes e deve definir nesta sexta (19) o que fará com as vacinas recolhidas. Lotes de Coronavac, do Instituto Butantan Divulgação O Ministério da Saúde validou a imunização de pessoas que receberam vacinas dos 25 lotes da CoronaVac que foram suspensos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em setembro deste ano. Ao todo, a Anvisa havia interditado 12,1 milhões de doses que foram produzidas pela Sinovac, na China, em uma fábrica não inspecionada e aprovada pela agência. A nota técnica foi publicada pela pasta no dia 12 de novembro. "O Programa Nacional de Imunizações (PNI) define que aqueles indivíduos que tenham recebido doses da vacina Covid-19 Coronavac/Sinovac/Butantan dos lotes interditados pela Anvisa (202107101H, 202107102H, 202107103H, 202107104H, 202108108H, 202108109H, 202108110H, 202108111H, 202108112H, 202108113H, 202108114H, 202108115H, 202108116H, L202106038) poderão ter suas doses consideradas como VÁLIDAS, não havendo necessidade de revacinação destes indivíduos." Em nota, o Butantan afirmou que a decisão “corrobora as afirmações de que os lotes que haviam sido suspensos pela Anvisa são tão seguros e eficazes quanto os envasados nas instalações do instituto”. Histórico Em setembro, a Anvisa determinou o recolhimento dos lotes, após interditá-los de forma cautelar. À época, a Agência afirmou que a decisão tinha sido tomada após a constatação de que os dados apresentados pelo laboratório chinês não comprovam a realização do envase em condições satisfatórias de boas práticas de fabricação. A vacina é produzida pela Sinovac em parceria com o Instituto Butantan. Logo após a interdição, o Instituto anunciou que os lotes seriam substituídos. Segundo o Butantan, o processo foi concluído na última quarta-feira (17). Butantan define destino das doses Nesta sexta (19), os dirigentes do Instituto se reúnem para definir o que será feito com as vacinas recolhidas. O diretor do Butantan, Dimas Covas, disse em coletiva de imprensa no final de setembro, que o Instituto estudava doar os lotes a países da América Latina. Até o momento, porém, não há definição do que será feito com os imunizantes. Quantidade de doses aplicadas O Ministério da Saúde não informou quantas doses do montante foram aplicadas no país. Apenas os estados de São Paulo, do Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte divulgaram os números, à época da interdição. SP disse ter aplicado 4 milhões de doses. Já o Rio, revelou que 1.206 pessoas foram vacinadas com doses da CoronaVac de um dos lotes suspensos. No Rio Grande do Norte foram aplicadas 21 doses. Que vacina é essa? Coronavac VÍDEOS: Veja mais notícias sobre São Paulo e região metropolitana:
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