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  1. O prejuízo bilionário da saída do Mais Médicos para a 'medicina de exportação' de Cuba

    Economista cubano estima que país deve perder mais de R$ 1,1 bilhão por ano, valor superior a todas as exportações anuais de charutos da ilha caribenha, que sofre com novo arrocho dos EUA. Saída do Mais Médicos foi anunciada após críticas do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL). Médica cubana atende paciente em casa na cidade baiana de Itiuba Ueslei Marcelino/Reuters A saída de Cuba do programa Mais Médicos, recém-anunciada pelo governo cubano em resposta a críticas feitas pelo presidente eleito Jair Bolsonaro, vai representar um importante baque nas exportações de serviços de saúde da ilha socialista – sua principal fonte de renda internacional. Bem mais lucrativo que a exportação de produtos produzidos na ilha, como açúcar, tabaco, rum ou níquel, o envio de profissionais de saúde para o exterior responde por 11 bilhões de dólares dos 14 bilhões de dólares que Havana arrecada por ano com exportações de bens e serviços, segundo dados da Organização Mundial do Comércio e da imprensa estatal cubana. Com o fim do acordo selado na gestão da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2013, o regime cubano deve perder 332 milhões de dólares (ou mais de R$ 1,1 bilhão) por ano. O valor supera as exportações de charutos (259 milhões de dólares por ano, segundo o Instituto de Tecnologia de Massachusetts) e cria mais um desafio econômico para o país, que há 56 anos sofre um duro embargo comercial dos Estados Unidos. A estimativa do prejuízo é do economista cubano Mauricio De Miranda Parrondo, professor titular da Pontifícia Universidade Javeriana de Cali, na Colômbia. "As alternativas (à perda econômica do Mais Médicos) são muito escassas", diz Parrondo em entrevista à BBC News Brasil. "As opções mais visíveis aparecem no turismo cubano, mas não se espera que o vácuo deixado pela renda vinda do Brasil possa ser coberto com isso." Tradicionais carros-chefes do comércio local, as indústrias açucareira e de níquel amargam uma crise que vem se agravando nos últimos anos. O turismo rende atualmente 2,8 bilhões de dólares anuais para a ilha, mas está sob a mira do presidente americano Donald Trump, que incluiu na última sexta-feira 16 hotéis cubanos na lista de empresas cubanas com as quais os americanos não podem fazer negócios. Para cobrir o buraco deixado pelo fim dos aportes do Mais Médicos, o turismo de Cuba precisaria crescer 10% - uma meta impossível enquanto houver sanções dos EUA, segundo especialistas. Programa Mais Médicos foi criado pelo governo de Dilma Rousseff - na imagem, tirada em 2016, Dilma lança nova fase do programa e é cercada por profissionais, alguns cubanosA presidente Dilma Rousseff anúnciou nesta sexta (29) a prorrogação do Programa Mais Médicos Dida Sampaio/Estadão Conteúdo Aluguel de médicos, escravidão ou exportação de serviços? Os norte-americanos foram os primeiros a comentar o afastamento diplomático entre Brasil e Cuba. Em novo gesto de simpatia, a Casa Branca parabenizou Bolsonaro nesta sexta-feira (16) "por tomar posição contra o regime cubano por violar os direitos humanos de seu povo, incluindo médicos alugados no exterior em condições desumanas". Se o americano descreve a oferta de serviços médicos como "aluguel", o novo governo brasileiro vai além e fala em "escravidão", argumentando que o governo cubano ficaria com 75% dos mais de 3 mil dólares pago a cada médico por mês. "Isso é trabalho escravo. Nao poderia compactuar", disse Bolsonaro. O vice-presidente eleito, general Hamilton Mourão também levantou a bola pelo Twitter. "No futuro, quando Cuba for livre, os livros contarão a história do homem que libertou 8 mil cubanos da escravidão: Jair Bolsonaro, o Justo." Analistas internacionais estimam que a fatia recolhida pelo governo cubano em serviços prestados por seus médicos em 67 países das Américas, da África, da Ásia e da Europa varie entre metade e três quartos dos salários, dependendo do país (parte dos serviços oferecidos por Cuba é gratuita – ou seja, os médicos recebem direto do governo cubano, enquanto o país apoiado não precisa pagar nada – como em casos de desastres naturais e humanitários). Mas, no termo técnico assinado entre o Ministério da Saúde e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), órgão ligado à ONU que atua como intermediário no envio de recursos do programa Mais Médicos, não existem números oficiais sobre o percentual do salário que é de fato repassado para os médicos cubanos no Brasil. Segundo o acordo, os médicos são funcionários do governo da ilha, que por sua vez presta serviços remunerados ao Brasil. Mesmo com os descontos, a fatia de salário recebida pelos profissionais no Brasil é muito superior aos rendimentos dos que trabalham nos arredores de Havana: a renda mensal de um médico em Cuba é estimada entre 25 e 40 dólares, ou o equivalente a R$ 94 e R$ 150. Totalitarismo e Saúde Universal Para a ONG americana Cuban Archive, o modelo de exportação de serviços médicos de Cuba "só é possível em um governo totalitário". "Com o Estado como único empregador, os profissionais de saúde estão proibidos de deixar o país sem permissão. Quando são enviados para uma missão estrangeira, eles devem deixar suas famílias para trás como reféns para seu retorno", aponta a instituição, que faz oposição ao governo socialista. Já Cristian Morales, representante em Havana da Opas, defende publicamente a proposta, argumentando que ela "permite a Cuba receber recursos internacionais importantes para garantir o funcionamento de seu próprio sistema de saúde universal". Entrevistado em 2016 por um conjunto de pesquisadores de universidades do Brasil, da Alemanha e da Espanha, um médico cubano ficou com o meio termo. "Em Cuba tudo é de graça, a população não tem que pagar por estudos, esportes e nem mesmo por serviços saúde. Para conseguir tudo isso, o dinheiro precisa vir de algum lugar, então estamos comprometidos com o povo dessa maneira, para manter as coisas como estão no nosso país", afirmou. "Mas, falando claramente, nós podemos ter esse compromisso de ajudar o nosso povo, mas também não é justo receber 30% (do salário) pelo resto de nossas vidas [...] Eu trabalhei no Haiti e ganhava 20% [...] As pessoas também tem que entender que precisamos viver, nós também temos nossos sonhos." 'Mobiliei toda a minha casa' Se, no Brasil, a medicina é uma carreira de prestígio e seus profissionais podem ganhar salários bem mais altos que a média nacional, qual é o status social dos médicos em Cuba? "Os médicos são profissionais altamente reconhecidos pela sociedade cubana", responde o economista cubano Mauricio Parrondo. "Mas esse reconhecimento não está relacionado à sua renda por meio dos salários, que são insuficientes para cobrir necessidades essenciais, como acontece com os outros trabalhadores que recebem do Estado cubano. O alto prestígio tem a ver com a importância percebida pela população." O especialista diz que muitos dos profissionais que trabalham no exterior sob contratos estaduais acabam levando uma vida de "austeridade exagerada" para serem capazes de enviar recursos para familiares e melhorar o padrão de vida na ilha, "o que não seria possível com a renda de seus salários em Cuba". Em entrevista à BBC em 2013, ano de lançamento do programa, uma médica cubana ilustrou esta tese. "Não tinha absolutamente nada. Graças à missão, mobiliei toda minha casa." Paradoxo da saúde cubana A importância da medicina na sociedade de Cuba retoma uma discussão conhecida como o "paradoxo da saúde cubana" e ilustrada frequentemente por um ditado popular da ilha: "Nós vivemos como pobres, mas morremos como ricos". É que, apesar do PIB modesto e do isolamento financeiro patrocinado pelos EUA, Cuba consegue manter uma expectativa de vida mais alta que a dos americanos (por volta de 80 anos), mesmo investindo menos de um décimo do que os americanos gastam com saúde. Segundo o Banco Mundial, Cuba investe 813 dólares por pessoa anualmente com serviços de saúde, enquanto os EUA gastam 9,4 mil dólares. Mas a conta se inverte quando a avaliação leva em conta o percentual do PIB investido em saúde: Cuba investe 10,57% de sua riqueza no setor, valor muito superior ao dos americanos ou europeus como Alemanha e França. Além do bem-estar da população, a prioridade no investimento também se justifica pela perspectiva diplomática da saúde como elemento de integração econômica e cultural entre Cuba e o resto do mundo, desde a Guerra Fria. Cubanos atuando no programa Mais Médicos no Brasil Alexandre Mauro/G1 Ilustrada pela parceria que agora chega ao fim com o governo brasileiro, a "diplomacia médica" cubana garante a entrada de moedas fortes como o dólar, importantes para as reservas do país, além de poder de influência e legitimidade no exterior. Nos últimos 55 anos, Cuba recebeu e treinou sem custos mais de 35 mil profissionais de saúde de 138 países. Segundo o ministério de Saúde Pública, a ilha realizou 600 mil missões de saúde pública em 164 países neste período, incluindo contribuições importantes na luta contra o vírus Ebola na Libéria, Serra Leoa e Guiné, contra a catarata na América Latina e no Caribe e contra a cólera no Haiti. Em 1985, Cuba foi o primeiro país a desenvolver uma vacina efetiva contra a meningite B. Mais tarde, inovou novamente com uma vacina contra o câncer de pulmão. Em 2015, se tornou a primeira nação do mundo a eliminar a transmissão materno-infantil de HIV e sífilis. Hoje, 8.332 dos 16 mil médicos que atuam no Mais Médicos são cubanos. Enquanto o Brasil organiza uma força-tarefa para recrutar profissionais dispostos a substituí-los em regiões pobres e remotas do país e manter a qualidade do atendimento (aprovado por 95% dos pacientes, segundo pesquisa feita pela UFMG), Cuba se esforça para enfrentar mais um importante revés econômico em sua história recente - e encontrar outras fontes de renda para compensar o prejuízo do fim da lua de mel com o governo brasileiro.
  2. Quando é preciso retirar as amígdalas e por que tantas crianças são operadas sem necessidade

    Estudo realizado na Inglaterra descobriu que 9 em cada 10 operações do tipo são desnecessárias e sinalizou que o procedimento cirúrgico poderia estar causando mais danos do que benefícios às crianças. Pesquisa realizada na Inglaterra mostra que nove em cada 10 operações do tipo são desnecessárias GETTY IMAGES/BBC Milhares de crianças são submetidas todos os anos a cirurgias para retirada das amígdalas sem que haja necessidade. Um estudo realizado na Inglaterra descobriu que 7 de cada 8 operações do tipo realizadas em crianças do país dificilmente trariam alguma vantagem. As amígdalas, localizadas próximo a base da língua, desempenham um papel importante no sistema imunológico, ajudando a proteger o organismo contra vírus e bactérias que entram pela boca ou pelo nariz. Mas são um daqueles órgãos que não são considerados indispensáveis para a sobrevivência. Segundo o estudo, o procedimento cirúrgico pode estar causando mais danos do que benefícios às crianças. Sem contar o gasto que representa para o sistema público de saúde inglês, o NHS - que já informou que planeja reduzir o número de operações de retirada de amígdala e outros tratamentos "ineficientes", nos quais os prejuízos sejam maiores do que os ganhos. Critérios para retirada das amígdalas De acordo com os pesquisadores, a remoção das amígdalas é indicada apenas quando atende a um dos critérios abaixo: Mais de sete episódios de dor ou inflamação da garganta por ano; Mais de cinco episódios de dor ou inflamação da garganta por ano, durante dois anos consecutivos; Três episódios de dor ou inchaço da garganta ao ano durante três anos seguidos. O estudo da Inglaterra, publicado no The British Journal of General Practice, analisou os registros de mais de 1,6 milhão de crianças inglesas entre 2005 e 2016. De cada mil crianças do país, duas ou três foram submetidas à cirurgia para retirada de amígdala. Porém, 88% (cerca de 7 em cada 8) não preenchiam os critérios acima. Apenas 12% das cirurgias realizadas no período foram clinicamente justificadas. No grupo de crianças que foi submetida à cirurgia sem preencher os critérios, 10% havia tido apenas um único episódio de dor de garganta ou inflamação. Com base nesses dados, o estudo estimou que 32,5 mil das 37 mil amigdalectomias infantis realizadas no Reino Unido entre 2016 e 2017 foram desnecessárias, custando £ 36,9 milhões (o equivalente a quase R$ 180 milhões) ao sistema público de saúde. Tom Marshall, professor do Instituto de Pesquisa em Saúde Aplicada da Universidade de Birmingham, na Inglaterra, e um dos autores do estudo, afirma que a cirurgia pode ser justificada no caso de pacientes mais seriamente afetados. "A pesquisa sugere que crianças com menos dores ou inflamações na garganta não vão se beneficiar o suficiente para justificar a cirurgia, porque, de qualquer forma, a dor de garganta tende a desaparecer", diz. Estudo estima que 7 de cada 8 operações infantis do tipo realizadas no Reino Unido foram desnecessárias GETTY IMAGES/BBC Retirada de amígdalas pode gerar complicações Os especialistas também ressaltam que, como em todas as cirurgias, as amigdalectomias podem levar a complicações que, embora raras, podem ser graves. "Quando esta operação é realizada no grupo certo de crianças, pode reduzir significativamente as infecções da garganta, melhorar a qualidade do sono, diminuir o número de consultas médicas, o uso de antibióticos e, mais importante, melhorar a qualidade de vida da criança e da família ", afirmam especialistas da Escola de Medicina McGovern da Universidade do Texas, nos EUA. "No entanto, há uma morbidade associada à cirurgia que inclui hospitalização, custo financeiro, risco de anestesia, sangramento pós-operatório e cicatrização", acrescentam. "De fato, até 4% das crianças operadas podem ter que ser internadas novamente devido a complicações secundárias, o que significa que a tomada de decisão adequada para realizar essa cirurgia é de suma importância." Além disso, alguns estudos sugerem que a retirada das amígdalas na infância pode ter conquências no longo prazo, como aumento do risco de ataque cardíaco precoce e de doenças respiratórias, como asma, pneumonia e gripe na vida adulta. Epidemia de retirada de amígdalas O problema não é exclusivo do Reino Unido. Uma pesquisa publicada em 2014 pelo The Cochrane Review comparou estudos conduzidos em diversos lugares do mundo sobre a eficácia da cirurgia de remoção de amígdala, e constatou que um grande número de operações são feitas sem justificativa clínica suficiente. O levantamento não cita o Brasil. Aqui, o Sistema Único de Saúde (SUS) realizou 33,8 mil cirurgias para retirada de amígdalas em 2017, sendo 31,1 mil em crianças (mais de 90%). Os Estados Unidos são o país com as taxas mais altas do procedimento. A cada ano, são realizadas mais de 500 mil amigdalectomias infantis - trata-se da terceira operação mais comum em crianças no país. As taxas são tão altas que o procedimento foi descrito como "uma epidemia". "É uma epidemia silenciosa de cuidados médicos desnecessários", disse em 2012 o especialista David Goodman, do Darthouth Atlas, banco de dados sobre cuidados de saúde do Instituto Darmouth para Política de Saúde e Prática Clínic, dos Estados Unidos. "Na maioria dos casos, (a retirada de amígdalas) é realizada em pacientes com sintomas muito menos recorrentes do o necessário para indicar o procedimento", disse Goodman.
  3. Café ou chá? Escolha pode estar relacionada com seus genes, diz estudo

    Pesquisa é baseada nos dados genéticos de cerca de 438 mil participantes britânicos e foi publicada na revista 'Nature'. Chá ou café? Pode ter alguma coisa a ver com seu DNA Pixabay Chá, ou café? O gosto parece estar determinado parcialmente pela genética, como aponta um estudo feito com britânicos e publicado na revista científica "Nature". "O estudo usou uma amostra muito ampla" para demonstrar que "a percepção do amargo influi no consumo de chá e de café", disse o coautor do estudo Daniel Liang-Dar Hwang, da Universidade australiana de Brisbane. Paradoxalmente, as pessoas com uma maior sensibilidade ao gosto amargo do café eram as que bebiam mais. Isso "sugere que os consumidores de café desenvolvem um gosto, ou uma capacidade para detectar a cafeína", afirmou a professora de Medicina Preventiva Marilyn Cornelis, também coautora do estudo. "A genética desempenha um papel ligeiramente mais importante na percepção do amargor do que do doce", explicou Liang-Dar Hwang. A percepção dos gostos também está influenciada por nossos comportamentos. "Mesmo que, de forma natural, os humanos não apreciem o amargor, podemos aprender a apreciar os alimentos amargos", afirmou o pesquisador. "Os bebedores de café são, geralmente, menos sensíveis do que os bebedores de chá ao amargor e têm, além disso, mais possibilidades de apreciar esse gosto em outros alimentos, como as verduras verdes", completou. Baseado nos dados genéticos de cerca de 438 mil participantes britânicos, o estudo por enquanto "não é generalizável para outros países e culturas", advertem os autores.
  4. Estudo aponta eficácia de meditação como tratamento para pacientes com estresse pós-traumático

    Pesquisa publicada na revista 'Lancet Psychiatry' foi feita com ex-soldados americanos. Meditação é eficaz no tratamanto de vítimas de estresse pós-traumático, aponta estudo Shahariar Lenin/Pixabay A meditação pode ser tão eficaz para tratar as vítimas de estresse pós-traumático (ESPT) quanto as terapias que já são usadas atualmente, de acordo com um estudo realizado com ex-soldados americanos publicado na revista científica "Lancet Psychiatry" nesta sexta-feira (16). O ESPT pode ocorrer depois que uma pessoa vive uma experiência traumática relacionada, por exemplo, com a morte, a violência, ou uma agressão sexual. Caracteriza-se, sobretudo, por recordações repetitivas, pesadelos, tentativas de evitar tudo o que possa lembrar o acontecimento, estado de irritabilidade e depressão. Acontece principalmente entre vítimas de atentados e soldados, e calcula-se que 14% dos militares americanos que serviram no Iraque ou Afeganistão sofram de ESPT. Entre os tratamentos atuais destaca-se a terapia por exposição. Esta consiste em expor gradualmente o afetado a situações, lugares, imagens, sensações, barulhos e cheiros associados ao evento traumático para que o seu organismo "se acostume" a não reagir de maneira tão intensa, reduzindo pouco a pouco o estresse. Mas esta técnica é dolorosa para as vítimas de ESPT e entre 30% e 45% dos pacientes abandonam o tratamento, segundo o estudo. Meditação pode ajudar Como uma possível alternativa aos tratamentos disponíveis, pesquisadores de três universidades americanas testaram a meditação em um estudo que observou 203 ex-soldados afetados pela doença. Os militares, mulheres e homens, foram distribuídos em três grupos: um praticou a meditação, o segundo a terapia por exposição e o terceiro recebeu um curso teórico sobre ESPT. Dos ex-soldados que praticaram 20 minutos de meditação diariamente, 60% registraram uma melhora significativa dos sintomas, e este grupo foi o que mais pessoas chegaram até o final do estudo em relação aos que foram submetidos à terapia por exposição. A meditação consiste em concentrar o espírito em algo concreto, como a respiração ou um objeto, para conseguir se concentrar no presente, que é denominado estado de plena consciência. Desta maneira, pode-se afastar de pensamentos ou sentimentos dolorosos. Esta prática "pode ser feita sozinho, em praticamente todos os lugares e a qualquer momento, sem necessidade de um equipamento especializado ou de um apoio personalizado", indicou Sanford Nidich, autor principal do estudo. "Diante do crescente problema que o ESPT apresenta em Estados Unidos, Grã-Bretanha e outros lugares do mundo, as terapias alternativas, como a meditação, devem fazer parte das opções oferecidas pelas autoridades de saúde", afirmou.
  5. Por que poucas mulheres venceram o prêmio Nobel

    Mais mulheres estão garantindo um doutorado em ciência - então por que Donna Strickland foi a terceira mulher na Física a receber um Prêmio Nobel? Cinquenta e cinco anos depois de Goeppert-Mayer, Donna Strickland ganhou o Nobel de Física, compartilhado com os físicos Arthur Ashkin e Gerard Mourou Reprodução - Universidade de Waterloo Donna Strickland foi uma das ganhadoras do Prêmio Nobel de Física de 2018, anunciado em outubro. Trata-se um grande feito para qualquer cientista, mas o que mais chamou a atenção foi o fato de ela ser apenas a terceira mulher a receber o prêmio na história, depois de Marie Curie, em 1903, e Maria Goeppert-Mayer, em 1963. A percepção dessa raridade gerou um debate sobre a exclusão de mulheres na educação e em carreiras científicas. Pesquisadoras viram muitos avanços no último século, mas há inúmeras evidências de que elas continuam sub-representadas no chamado Stem, um acrônimo em inglês que agrega os campos da ciência, tecnologia, engenharia e matemática. Estudos têm mostrado que as cientistas que persistem na carreira enfrentam barreiras explícitas e implícitas no caminho. O preconceito é mais intenso em áreas predominantemente masculinas, onde as mulheres são mal representadas e geralmente vistas como ícones ou outsiders. Ou seja, quando as mulheres atingem os níveis mais altos em esporte, política, medicina e ciência, elas servem como modelos para todas nós, especialmente para meninas e outras mulheres. Mas a situação está melhorando em relação à igualdade de representação? E o que ainda impede que mais mulheres frequentem as salas de aula, laboratórios, tenham papéis de liderança e sejam vencedoras de prêmios como esse? Estereótipos enganosos Estereótipos tradicionais sustentam que as mulheres "não gostam de matemática" e "não são boas em ciência". Tanto homens quanto mulheres reforçam essas afirmações, que, no entanto, têm sido contestadas por pesquisas empíricas. Elas mostram que meninas e mulheres evitam a educação Stem não por incapacidade, mas pela pouca exposição e experiência com o Stem, assim como pela falta de modelos, políticas públicas educacionais e contexto cultural desfavorável. Nas últimas décadas, houve esforços para melhorar a representação de mulheres na ciência. Eles focaram no combate a estereótipos com reformas educacionais e programas que aumentem o número de meninas entrando e permanecendo no que é chamado de Stem Pipeline - o percurso desde a escola básica à pós-graduação na área científica. As ações têm funcionado. Mulheres estão cada vez mais propensas a expressar interesse por carreiras Stem e por buscar formações universitárias nos setores. Hoje, mulheres representam metade ou mais dos profissionais das áreas de psicologia e ciências sociais; e estão cada vez mais representadas na força de trabalho científica - com exceção das ciências computacionais e matemáticas. De acordo com o Instituto Americano de Física, mulheres ganharam cerca de 20% dos diplomas de graduação e 18% dos doutorados em Física em 2017, contra 10% e 5%, respectivamente, em 1975. Marie Curie foi a primeira mulher a ganhar um Prêmio Nobel de Física, em 1903; ela compartilhou o prêmio com o marido Pierre Domínio público Mais mulheres estão se graduando em doutorados Stem e assumindo posições acadêmicas. Mas elas se deparam com abismos e tetos de vidro à medida que avançam em suas carreiras acadêmicas. 'Teto Stem' Mulheres enfrentam várias barreiras estruturais e institucionais em carreiras acadêmicas nas áreas Stem. Além de questões relacionadas às disparidades salariais entre os gêneros, a estrutura da ciência acadêmica dificulta o avanço de mulheres. Isso porque a ciência experimental requer anos de dedicação em um laboratório, e as imposições da carreira podem tornar difícil, senão impossível, o equilíbrio entre o trabalho e os cuidados familiares que geralmente recaem sobre elas. Além disso, trabalhar em um ambiente dominado por homens pode gerar uma sensação de isolamento para as mulheres – que se percebem como exceções e mais suscetíveis a assédios. As mulheres são frequentemente excluídas da cultura de trabalho e das oportunidades de networking e eventos sociais. Quando a representação das mulheres não chega a 15%, elas são menos empoderadas para advogar por suas causas e mais propensas a se perceberem como um grupo minoritário e como uma exceção. Quando estão na posição minoritária, as mulheres são mais propensas a assumir mais tarefas extras como "símbolos" do compromisso. Como há poucas colegas, as mulheres têm mais dificuldade de estabelecer relações com colaboradoras ou redes de apoio e aconselhamento. O isolamento pode se intensificar quando elas não conseguem participar de eventos de trabalho ou de conferências por causa de responsabilidades familiares. Universidades, associações profissionais e financiadores federais vêm trabalhando para dar uma solução a várias dessas barreiras estruturais. Esforços incluem criar políticas atentas às questões familiares, aumentar a transparência salarial, reforçar proteções legais à igualdade de gênero, garantir programas de mentoria e apoio a mulheres cientistas, proteger o período de pesquisa para as mulheres cientistas e selecionar mulheres em contratações e ações de fomento à pesquisa. Esses programas têm tido resultados variados. Por exemplo, pesquisas indicam que políticas de apoio à família, como licença ou local para crianças no espaço de trabalho, podem intensificar a desigualdade de gênero, resultando em aumento da produtividade de homens e mais obrigações para mulheres. Todos provavelmente têm uma ideia mental da aparência de um cientista ganhador do Prêmio Nobel. A imagem é predominantemente masculina, branca e mais velha – o que faz sentido, já que 97% dos ganhadores são homens. Este é um exemplo de um preconceito implícito: presunções subconscientes, involuntárias e naturais que todos nós, homens e mulheres, formamos sobre o mundo ao nosso redor. As pessoas tomam decisões baseadas nessas suposições, preferências e estereótipos – mesmo que essas presunções sejam contrárias às suas crenças explícitas. Preconceitos implícitos Estudos revelam que existem preconceitos implícitos difundidos contra mulheres vistas como especialistas ou cientistas. Eles se manifestam quando se atribui mais reconhecimento e se premiam mais homens do que mulheres com bolsas científicas, por exemplo. Preconceitos implícitos podem atrapalhar a contratação, o avanço e o reconhecimento do trabalho de mulheres. Por exemplo, mulheres que buscam empregos acadêmicos são mais propensas a serem vistas e julgadas com base em informações pessoais e na aparência física. Cartas de recomendação para mulheres são mais propensas a levantar dúvidas e a usar uma linguagem que tenha resultados negativos em sua carreira. O preconceito implícito pode afetar também a capacidade de a mulher publicar descobertas científicas e ganhar reconhecimento pelo trabalho. Homens citam seu próprio trabalho 56% mais vezes que as mulheres. Há ainda uma desigualdade de gênero no reconhecimento, na premiação e nas citações. As pesquisas conduzidas por mulheres têm menos chances de serem citadas por outros acadêmicos, e suas ideias são mais propensas a serem atribuídas a homens do que o contrário. As pesquisas assinadas apenas por uma mulher levam duas vezes mais tempo para avançar no processo de revisão. Poucas mulheres editam periódicos científicos, são pesquisadoras seniores, autoras principais ou revisoras de artigos. Essa marginalização na pesquisa em posições de controle dificultam a promoção de mulheres na ciência. Quando uma mulher se torna uma cientista reconhecida internacionalmente, preconceitos implícitos agem contra a probabilidade de que ela seja convidada como palestrante para compartilhar suas descobertas de pesquisa, diminuindo, assim, sua visibilidade no campo e, logo, a possibilidade de que ela seja indicada a prêmios. Nota-se esse desequilíbrio de gênero pela baixa frequência de mulheres especialistas sendo citadas em notícias sobre vários temas. As cientistas também são menos respeitadas e reconhecidas do que deveriam por suas conquistas. Pesquisas mostram que é mais comum tratar especialistas homens pelo sobrenome, e mulheres, pelo primeiro nome. Por que isso importa? Porque experimentos mostram que indivíduos citados pelo sobrenome são percebidos como famosos e importantes. Na realidade, um estudo descobriu que cientistas chamados pelo sobrenome são considerados 14% mais merecedores de prêmios da Fundação Nacional de Ciência dos EUA. Ambiente masculino Trata-se de uma grande conquista de Strickland ganhar o prêmio Nobel como professora associada de Física; chegar a esse patamar como uma mulher que certamente enfrentou mais barreiras do que seus colegas homens é monumental. Quando perguntada como ela se sente em ser a terceira mulher laureada pelo Nobel em Física, Strickland ficou surpresa ao se dar conta de que poucas mulheres haviam ganhado o prêmio. Em seguida, ponderou: "Mas, quer dizer, eu vivo em um mundo com a maioria de homens, então, ver principalmente homens, na realidade, não me surpreende", disse ela. A participação principalmente de homens tem traçado a história da ciência. Responder a preconceitos implícitos e estruturais evitará outra espera de meio século para que a próxima mulher seja reconhecida com um Prêmio Nobel por sua contribuição à Física. Aguardo ansiosamente o dia em que a atenção dada à mulher que receber o prêmio de maior prestígio na ciência se reflita apenas por seu trabalho e não pelo seu gênero.
  6. Por que em 2019 1 kg não pesará 1 kg

    Além do quilo, outras unidades de medidas básicas, como ampere, kelvin e mol, serão redefinidas. A partir de 2019, 1 kg deixará de ser o que era. Mas por quê? É que o quilo consiste em uma das quatro unidades de medida básicas - juntamente com ampere, kelvin e mol - que serão redefinidas nesta sexta-feira, em Paris, pela Conferência Geral sobre Pesos e Medidas (CGPM), no que representa a maior revisão do Sistema Internacional de Unidades (SI) desde a sua criação em 1960. O objetivo da mudança é relacionar essas unidades a constantes fundamentais e não arbitrárias, como tem sido até agora. Embora as mudanças não afetem nosso dia a dia, elas são de grande importância para pesquisas científicas que exigem um alto nível de precisão em seus cálculos. Imagem criada por computador mostra protótipo utilizado para calcular 1 kg BBC O novo quilograma O novo sistema, que entrará em vigor em maio de 2019, permitirá que os pesquisadores realizem várias experiências para relacionar as unidades de medida com as constantes. Tome, por exemplo, o caso do quilograma. Atualmente, essa unidade de medida é definida por um objeto: um quilograma é a massa de um cilindro de 4 centímetros de platina e irídio fabricado em Londres que é guardado pelo Escritório Internacional de Pesos e Medidas (BIPM) em um cofre na França desde 1889. Mas esse quilo original perdeu 50 microgramas em 100 anos. Isso ocorre porque os objetos podem facilmente perder átomos ou absorver moléculas do ar, então usar um para definir uma unidade SI é complicado. Como todas as balanças do mundo são graduadas de acordo com esse quilo original, quando calculam o peso, acabam gerando dados incorretos. Mesmo imperceptíveis na vida cotidiana, essas diferenças mínimas são importantes em cálculos científicos que exigem extrema precisão. A nova unidade, no entanto, será medida com a chamada balança de Kibble (ou de Watt), um instrumento que permite comparar energia mecânica com eletromagnética usando duas experiências separadas. Como o novo sistema funciona Eletroímãs geram um campo magnético. Eles costumam ser usados em guindastes para levantar e mover grandes objetos de metal, como carros, em ferro-velhos. A atração do eletroímã, ou seja, a força que ele exerce, está diretamente relacionada à quantidade de corrente elétrica que passa por suas bobinas. Existe, portanto, uma relação direta entre eletricidade e peso. Ou seja, a princípio, os cientistas podem definir um quilograma, ou qualquer outra unidade de peso, em termos da quantidade de eletricidade necessária para neutralizar sua força. Há uma grandeza que relaciona peso à corrente elétrica, chamada constante de Planck - em homenagem ao físico alemão Max Planck, representada pelo símbolo h. Mas h é um número incrivelmente pequeno e, para medi-lo, o cientista Bryan Kibble criou uma balança de alta precisão. A balança de Kibble, como ficou conhecida, tem um eletroímã que pende para baixo de um lado e um peso - digamos, um quilograma - do outro. A corrente elétrica que passa pelo eletroímã é aumentada até que os dois lados estejam perfeitamente equilibrados. As vantagens Essa maneira de medir o quilo não muda, tampouco pode ser danificada ou perdida, como pode acontecer no caso de um objeto físico. Além disso, uma definição baseada em uma constante - não um objeto - resultaria na medida exata do quilo, pelo menos em teoria, disponível para qualquer pessoa em qualquer lugar do planeta e não apenas para aqueles que têm acesso ao quilo original guardado na França. Mas alguns cientistas, como Perdi Williams, do Laboratório Nacional de Física do Reino Unido, têm sentimentos contraditórios sobre a mudança. "Não estou nesse projeto há muito tempo, mas sinto um apego estranho com o quilograma", diz ele. "Estou um pouco triste com a mudança, mas é um passo importante, e o novo sistema vai funcionar muito melhor. É um momento muito emocionante, e mal posso esperar para que aconteça." Outras unidades A maneira de definir o ampere (unidade de corrente elétrica) também mudará. Passará a ser medido com uma bomba de elétrons que gera uma corrente mensurável, na qual os elétrons individuais podem ser contados. O kelvin (unidade de temperatura) será definido a partir do novo sistema com termometria acústica. A técnica permite determinar a velocidade do som em uma esfera cheia de gás a uma temperatura fixa. O mol, a unidade usada para medir a quantidade de matéria microscópica, é atualmente definido como a quantidade de matéria de um sistema que contém tantas partículas quantos átomos existem em 0,012 kg de carbono-12. No futuro, será redefinido como a quantidade precisa de átomos em uma esfera perfeita de silício puro -28.
  7. Da chegada polêmica à saída anunciada por Havana: veja como foram os 5 anos da participação cubana no Mais Médicos

    Cuba anunciou saída do acordo nesta quarta-feira (14). Governo Jair Bolsonaro diz que estrangeiros que pedirem asilo no Brasil serão recebidos. Foram, até aqui, cinco ministros e cinco anos de existência. O programa Mais Médicos surgiu em julho de 2013 no governo Dilma Rousseff. Mais conhecido por trazer milhares de profissionais de Cuba ao Brasil, causou polêmica por permitir que estrangeiros trabalhassem no país sem passar pela prova de revalidação de diploma, o Revalida. No entanto, desde o início foi apresentado pelo governo como um programa que priorizaria médicos brasileiros. Nesta quarta-feira (14), o governo cubano anunciou que pretende desfazer o acordo com o Ministério da Saúde e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e retirar seus profissionais do país. Mais de 8 mil cubanos trabalham pelo programa no Brasil. Veja abaixo uma linha do tempo que mostra os principais momentos desses 5 anos de Mais Médicos: Alexandre Padilha era ministro da saúde do governo Dilma Lançamento O governo de Dilma Rousseff, com Alexandre Padilha no Ministério da Saúde, lança o programa Mais Médicos. O objetivo era aumentar o número de profissionais na rede pública de saúde em regiões carentes. O governo prevê 10 mil postos de emprego para médicos em regiões mal atendidas; Médicos do programa recebem bolsa de R$ 10 mil. Os cubanos, contratados com a Opas como intermediária, recebem cerca de 30% do valor, já que a maior parte fica com o governo de Cuba; Ciclo de atividades no Brasil dura 2 anos. Após isso, o médico pode renovar o contrato ou voltar para o país de origem; Já no lançamento, Dilma Rousseff afirmou que brasileiros teriam prioridade para ocupar as vagas. Os estrangeiros ficariam com as vagas remanescentes. Entidades médicas protestam contra o programa Mais Médicos Médicos condenam No mesmo dia do lançamento, uma carta assinada pela Associação Médica Brasileira (AMB), Associação Nacional de Médicos Residentes (ANMR), Conselho Federal de Medicina (CFM) e Federação Nacional dos Médicos (Fenam) condena o Mais Médicos e afirma: "É inaceitável que nosso país, cujo governo anuncia sucessivos êxitos no campo econômico, ainda seja obrigado a conviver com a falta de investimentos e com a gestão ineficiente no âmbito da rede pública". Denúncia de boicote O governo federal anuncia novas regras na entrega de documentação e para o caso de desistência dos candidatos. O motivo: denúncias de boicote ao programa. Médicos fazem paralisação Médicos protestam contra o Mais Médicos em várias capitais do Brasil. Consultas e cirurgias são canceladas nas unidades de saúde. Médicos fazem protesto em várias capitais do país 11% das vagas preenchidas O governo divulga novo balanço e mostra que apenas 11% das vagas foram preenchidas. Faltam mais de 13 mil profissionais para atender municípios. Grupo de médicos cubanos desembarca no Recife Luna Markman e Karina Almeida/G1 Cubanos no país Chegam ao Brasil os primeiros médicos cubanos. Em Fortaleza, há um episódio de cubanos sendo hostilizados ao chegar. Tentativa de fraude O esquema foi revelado em uma operação da Polícia Federal: um grupo era suspeito de fraudar diplomas e documentos de medicina para participar do Mais Médicos. Lei publicada A lei é publicada no Diário Oficial da União. O Ministério da Saúde passa a emitir registros provisórios para profissionais estrangeiros. Sai Alexandre Padilha Arthur Chioro é nomeado como ministro da Saúde. Aumento de salário Ministério da Saúde anuncia aumento no valor repassado para os cubanos, mas eles continuam recebendo menos do que os outros médicos estrangeiros. Em valores da época, os cubanos ganhavam US$ 400 (R$ 940) por mês para trabalhar no Brasil. Com o novo ajuste, eles passaram a ganhar US$ 1.245 por mês (quase R$ 3 mil). A mudança ocorre após denúncias do Jornal Nacional. Cubanos do "Mais Médicos" vão passar a receber um salário maior Arthur Chioro, ministro da saúde no governo Dilma Mateus Rodrigues/G1 e Karina Almeida/G1 Novo edital Novo edital, apresentado pelo Ministro da Saúde da época, Arthur Chioro, divulga 4.146 vagas para o programa - 95% para brasileiros. No interior, aumenta a cobertura O Profissão Repórter visita cinco estados para saber como estão trabalhando os médicos estrangeiros. Em Serra do Ramalho, na Bahia, só 38% do município tinha cobertura do programa Saúde da Família. Com a chegada dos médicos de Cuba, o índice chegou a 98%. Profissão Repórter visita estrangeiros do programa Mais Médicos Mais 11 anos Com 2 anos de programa, o ministro Arthur Chioro prevê que médicos estrangeiros continuem no Brasil até 2026. Ele apresenta balanço: 18.240 médicos atuavam no programa, sendo 11.429 cubanos contratados via convênio com a Organização Pan-americana da Saúde (Opas), 1.537 formados no exterior e 5.274 brasileiros. Marcelo Castro assume ministério da Saúde Karina Almeida/G1 Chioro fora Dilma informa a Arthur Chioro que ele deixará Ministério da Saúde. Marcelo Castro assume no lugar. Médicos abandonam postos em Guarujá Prefeitura de Guarujá/Karina Almeida/G1 Cubanos somem Médicos contratados pelo programa largam postos em Guarujá, no estado de São Paulo, e partem para viver nos Estados Unidos. O nome dos profissionais não é revelado. Ricardo Barros foi ministro da saúde no governo Michel Temer NBR/Karina Almeida/G1 Dilma afastada e Barros ministro Senado abre processo de impeachment e afasta Dilma Rousseff. Ricardo Barros é nomeado para o Ministério da Saúde do governo Michel Temer. Mais 3 anos Câmara aprova prorrogação do Mais Médicos por mais três anos. Texto segue para o Senado. Prorrogação Senado aprova medida provisória que prorroga o programa. Texto segue para a sanção presidencial em meio à turbulência do processo de impeachment de Dilma. Temer assume a presidência após impeachment Karina Almeida/G1 Temer no poder Senado aprova impeachment de Dilma Rousseff, e Michel Temer assume a presidência do Brasil. Temer prorroga O presidente Michel Temer assina lei que prorroga o Mais Médicos por mais 3 anos. O texto havia sido enviado para o Congresso como medida provisória ainda no governo de Dilma Rousseff. Ricardo Barros, ministro da saúde de Temer Karina Almeida/G1 Menos cubanos O ministro da Saúde Ricardo Barros diz que pretende reduzir o número de médicos cubanos no Mais Médicos. Ele aponta uma redução de 35% entre os profissionais do país. Levantamento no JN Jornal Nacional divulga levantamento do Ministério da Transparência que aponta que muitas prefeituras usam o Mais Médicos para demitir médicos que já trabalham e reduzir custos. Prefeituras usam Mais Médicos para cortar gastos, diz levantamento Barros ao lado de médicos do Mais Médicos Karina Almeida/G1 Atraso de salário Salário de 700 médicos é atrasado. De acordo com o Ministério da Saúde, o atraso aconteceu devido a erros no preenchimento dos dados dos médicos no sistema administrativo. Mais brasileiros Governo anuncia que participação dos brasileiros no Mais Médicos cresceu 44%. Cubanos pedem para ficar Com a preferência do governo Michel Temer por médicos brasileiros, profissionais cubanos entram na Justiça por direito a salário integral e pedido para ficar no Brasil. STF mantém regras Por 6 votos a 2, o Supremo Tribunal Federal (STF) validou o programa Mais Médicos, lançado em 2013 pela então presidente Dilma Rousseff. No julgamento, a Corte analisou duas ações apresentadas por entidades de classe do setor que contestavam várias disposições, entre elas as que dispensam a revalidação do diploma de profissionais estrangeiros e que preveem salários menores para participantes cubanos. Cuba decide sair do programa TV Redes Mares/Karina Almeida/G1 Cuba sai do programa Cuba decide sair do programa e cita declarações de Bolsonaro. O governo do país citou "referências diretas, depreciativas e ameaçadoras" feitas pelo presidente eleito Jair Bolsonaro à presença dos médicos cubanos no Brasil. "O Ministério da Saúde Pública de Cuba tomou a decisão de não continuar participando do Programa Mais Médicos e assim comunicou à diretora da Organização Pan-Americana de Saúde [Opas] e aos líderes políticos brasileiros que fundaram e defenderam a iniciativa", diz a nota do governo. Governo de Cuba anuncia a saída do programa Mais Médicos O presidente eleito Jair Bolsonaro afirmou pelo Twitter que o governo cubano não aceitou as condições estabelecidas para manter o programa Mais Médicos. “Condicionamos a continuidade do programa Mais Médicos à aplicação de teste de capacidade, salário integral aos profissionais cubanos, hoje maior parte destinados à ditadura, e a liberdade para trazerem suas famílias. Infelizmente, Cuba não aceitou”, escreveu. Initial plugin text
  8. ‘Meu marido sofre de obsessão sexual – devo perdoá-lo?'

    Mulher conta como ficou sabendo da vida sexual secreta do homem com quem vivia há mais de 20 anos e com quem tinha dois filhos. KAREN CHARMAINE CHANAKIRA/BBC Há quem duvide que exista vício em sexo, mas com certeza existem pessoas que tiveram suas vidas afetadas por comportamentos sexuais compulsivos. A jornalista Sangita Myska, apresentadora do podcast da BBC Viciados em Sexo, entrevistou algumas dessas pessoas: uma delas é uma mulher que, após 20 anos de casamento, descobriu que seu marido tinha uma vida secreta. Abaixo, contamos sua história por meio da transcrição de sua entrevista à BBC. Ela pediu que seu nome não fosse revelado. "Sempre pensei que tinha um casamento bastante normal. Nós namoramos por alguns anos, depois nos casamos e ficamos juntos por duas décadas. Tivemos filhos. Meu marido era um homem de negócios bem sucedido, que viajava bastante a trabalho. Eu ficava muito em casa, sozinha, cuidando das crianças. Ele voltava nos finais de semana. Sempre achei que tínhamos uma relação normal. Ele parecia feliz quando estava em casa. Eu não tinha noção do que estava acontecendo. Então um dia precisei entrar em seu escritório para procurar alguma coisa. Seu notebook estava aberto. Eu nunca tinha olhado nada no computador dele, mas a tela estava aberta em seus e-mails, e vi uma mensagem que mostrava uma reserva em um hotel em Londres. A reserva estava marcada para um dia depois que eu tinha planejado sair com uns amigos, de férias. Pensei: 'Isso é estranho. Por que ele reservou um quarto de hotel?' Não conseguia entender. Passei todo o dia pensando sobre o que eu tinha visto. Mais tarde, quando eu fui deitar, aquilo ainda estava na minha cabeça. Tomei coragem e perguntei a ele sobre aquela reserva de hotel. E ele não respondeu. O silêncio dele me mostrou que havia algo terrivelmente errado. Pareceu uma eternidade. Depois do que achei ser meia-hora, mas talvez tenha sido apenas dois minutos, eu me levantei e perguntei: 'O que está acontecendo?'. KAREN CHARMAINE CHANAKIRA/BBC Não me recordo exatamente quais foram as palavras dele, mas basicamente ele se desculpou e disse que estava se encontrando com outra pessoa. Nesse ponto, peguei meu roupão e saí do quarto, descendo as escadas. Eu não podia mais ficar no mesmo quarto que ele. Comecei a chorar. Logo depois, ele desceu e se sentou na minha frente. Disse o quanto ele estava arrependido. Ele contou que havia começado a frequentar clubes de striptease há algum tempo e que havia conhecido uma dançarina, e acabaram ficando próximos. Ele disse que havia reservado o quarto porque iria encontrá-la, a fim de levar o relacionamento adiante. Perguntei se eles já havia feito sexo. Negou, dizendo que havia algumas "provocações", mas nada mais do que isso. Eu queria acreditar nele. Acho que estava absolutamente desesperada para acreditar nele. Eu estava terrivelmente triste, mas pensei: 'ok, podemos superar isso, ele é apenas um homem de meia-idade em um momento de loucura. Vamos passar por isso'. Como eu iria passar alguns dias fora com meus amigos, pensei que poderia ser um bom momento longe dele para processar meus pensamentos. Não contei nada a meus amigos, queria guardar essa história comigo mesma. Foram dias muito, muito difíceis: não conseguia dormir nem comer direito. Olhando para trás, não sei como consegui passar por aquilo. Quando voltei para casa, conversamos bastante. Chorei muito. Mas a verdade é que sempre achei coincidência demais o fato de eu encontrar um e-mail de um hotel pouco antes de uma relação sexual se concretizar. Foi mais que mera coincidência. Então, duas ou três semanas depois de ler o e-mail, eu o pressionei a me olhar nos olhos e dizer se ele realmente não havia feito sexo com aquela mulher. Ele não conseguiu mentir. Admitiu que eles tinham transado e que esse relacionamento já durava algumas semanas ou meses. KAREN CHARMAINE CHANAKIRA/BBC Olhei para aquele homem que eu conhecia há anos e pensei: 'Como você pode esconder isso? Como nunca percebi que havia algo errado?' Não conseguia entender como o homem que eu conhecia há décadas tinha feito aquilo, era algo que não soava verdadeiro para a pessoa que eu conhecia. Então comecei a vasculhar todos os e-mails dele. Encontrei outras reservas de hotel. Voltei alguns anos na caixa de e-mails e achei outras reservas que não correspondiam à data em que, segundo ele, tinha conhecido a dançarina. O ponto de virada aconteceu quando um dia saímos para caminhar. Eu disse a ele: 'Preciso saber tudo. Vou continuar te pressionando porque acho que não sei de tudo'. Ameacei olhar todos os extratos bancários e todos os e-mails dele. Disse que eu realmente precisava saber a verdade. Ele respondeu: 'Você tem certeza que quer seguir por esse caminho?' E eu pensei: 'Oh, não, há muito mais do que já descobri'. Mas eu não tinha ideia do que ele iria me dizer e que seria tão devastador para mim. Ele transava com prostitutas durante todo o nosso casamento. Ele também contou que assistia a muitos filmes pornôs, por horas a fio. E que frequentava clubes de striptease, clubes de sexo e cinemas pornôs quando viajava para o exterior. Eu não falei mais nada. Um ou dois amigos notaram que eu estava muito quieta e perguntaram se eu estava bem. Eu dava alguma desculpa: 'só estou cansada; não tenho dormido muito bem; deve ser a menopausa; minha mãe não tem passado muito bem'. Eu estava com vergonha do que aconteceu. Imaginava o que as pessoas pensariam quando eu contasse a elas, o que pensariam dele e de mim. Presumi que as pessoas julgariam nosso casamento como algo falso. Também senti que poderiam pensar que eu não era boa suficiente para ele, que não era bonita nem sexy o suficiente. Sempre fui uma pessoa relativamente confiante. Não era o tipo de mulher que fazia as unhas todas as semanas nem colocava botox. Sou uma mulher de meia-idade, um pouco acima do peso, estou ficando velha, ganhando rugas, mas achei que era algo normal para minha idade. Essa história destruiu minha autoestima. Eu questionava se eu era uma pessoa divertida para estar com ele. Comecei a usar mais maquiagem e me certificar que eu parecia bem. Perdi alguns quilos - demorei bastante tempo para voltar a comer normalmente. Comprei novas roupas, fiz o cabelo mais vezes e coloquei botox. KAREN CHARMAINE CHANAKIRA/BBC Mas eu também pensava que havia algo de errado com a psique do meu marido - alguma doença. Achava que ele precisava de ajuda, e que essa era eu quem deveria dar. Quando fui a uma clínica, me explicaram que o comportamento dele era provavelmente o de um viciado em sexo. Acreditei naquilo e pensei: 'Ótimo, existe um rótulo, é isso, ele é doente. Há algo de errado com ele'. Eu queria acreditar naquilo, porque eu sempre poderia dizer para mim mesma: 'Não, você não tinha o que fazer, essas coisas iriam acontecer de qualquer jeito'. Mas um dia ele voltou de uma sessão de aconselhamento e disse que não tinha certeza se era viciado em sexo ou se tinha apenas feito más escolhas. Achei isso muito difícil de ouvir e fiquei mal por alguns dias. Quando começamos a terapia, lembro claramente de ele dizer que, antes de eu descobrir tudo, a vida dele era como estar em um túnel escuro segurando um segredo, tentando escondê-lo de mim, mentindo. Ele disse que agora podia ver uma luz no fim do túnel. Lembro de olhar para ele e pensar: 'Isso é ótimo para você, mas agora eu sou a única a viver na escuridão total. Tudo para mim agora é sombrio, e estou mantendo esse segredo, não posso contar para ninguém o que está acontecendo'. Senti o quanto aquilo era injusto comigo. Não quero contar minha história para as pessoas porque não quero ser julgada. Por exemplo, eu estava assistindo a Ryder Cup (competição de golfe entre Europa e Estados Unidos) e vi o Tiger Woods (um dos maiores jogadores de golfe da história, acusado de ter várias amantes enquanto era casado). Ele estava com a namorada. Fiquei imaginando o que as pessoas pensavam dela: 'Olha, essa é a mulherzinha dele, o capacho. Ele provavelmente pisa nela. Ela sabe que ele é viciado em sexo, que ele não respeita as mulheres'. Pessoas julgam pessoas. De várias maneiras meu casamento hoje é melhor do que antes. Parece uma loucura dizer isso. Mas passamos muitos meses indo para a terapia de casal. Estamos muito mais abertos um com o outro. Conversamos muito mais e, atualmente, temos falado sobre nossos sentimentos, não apenas sobre o que estamos fazendo hoje ou o que planejamos fazer no futuro. Realmente falamos sobre sentimentos, tantos os bons como os ruins. Ainda há algumas ocasiões em que fico abatida, mas, na maioria das vezes, sinto que nosso casamento está em equilíbrio e que emocionalmente também estou em equilíbrio. Como eu consegui perdoá-lo? Isso é algo que conversei com os terapeutas. Realmente não sei o que é perdão. Não acho que vou perdoá-lo pela dor que ele causou em mim, algo tão profundo. Não acho que poderia perdoá-lo, mas… Quero ficar com ele, eu o amo. A vida é boa com ele. Isso é perdão? Não sei dizer. Acho que, no fim das contas, estamos bem juntos. Somos bons amigos. Eu ainda o amo, e ele garante que ainda me ama, que sempre me amou. Eu também odiaria que meus filhos descobrissem o que aconteceu. Acho que eles perderiam todo o respeito que têm pelo pai. E minha família adora meu marido. Se você o conhecesse, também iria adorá-lo. Ele não parece ser a pessoa que faria o que fez. Ele seria a última pessoa que eu suspeitaria de fazer algo tão estúpido quanto o que ele fez."
  9. Parkinson: cantar diminui estresse e melhora funções motoras

    Ocupando o segundo lugar entre as doenças neurodegenerativas no mundo, ele afeta a capacidade do cérebro de controlar os movimentos. Se cantar não espanta todos os males, pelo menos alivia alguns sintomas. Pesquisadores da Iowa State University comprovaram que, além de aumentar a capacidade respiratória e o controle da deglutição, o canto também traz benefícios para o estado de espírito e as funções motoras de pacientes com Doença de Parkinson. O estudo ainda apontou para a redução de sinais fisiológicos de estresse. Embora tenha feito a ressalva de que são dados preliminares, a professora Elizabeth Stegemöller afirmou que a melhora observada é comparável ao resultado obtido com medicamentos – ela apresentou o trabalho na conferência anual da Sociedade para a Neurociência, realizada no começo do mês. Doença de Parkinson: a OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que 1% da população acima dos 65 sofra com a enfermidade RIDC/NeuroMat - https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=63906615 O trabalho é pioneiro por ter monitorado indicadores como batimentos cardíacos, pressão arterial e nível de cortisol – hormônio relacionado ao estresse – dos participantes antes e depois das sessões de cantoria, que tinham a duração de uma hora. Todos diziam estar se sentindo menos ansiosos e tristes. Os estudiosos agora se empenham em medir outros indicadores relacionados ao bem-estar, como o nível de oxitocina, hormônio ligado à sensação de prazer. Essa é uma ótima notícia, considerando que a expectativa é de que a prevalência da Doença de Parkinson vá dobrar nos próximos 20 anos. Para quem quiser conferir, há um vídeo de 2017 de uma sessão comandada pela professora. O Parkinson ocupa o segundo lugar entre as doenças neurodegenerativas no mundo. Afeta a capacidade do cérebro de controlar os movimentos, levando a tremores, rigidez muscular, lentidão de movimentos e alterações de marcha e equilíbrio. Normalmente começa a se manifestar por volta dos 60 anos, é mais comum entre os homens e o risco de desenvolvê-lo aumenta com a idade: a OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que 1% da população acima dos 65 sofra com o problema. No Brasil, a Rede Amparo é uma das entidades que reúne doentes, familiares, cuidadores e profissionais de saúde para melhorar a qualidade de vida das pessoas que convivem com a enfermidade. Para fechar, voltando à questão de soltar a voz. Em São Francisco, nos Estados Unidos, um programa de corais para idosos tem se mostrado eficaz para reduzir a solidão. Trata-se de uma iniciativa da prefeitura, em parceria com o San Francisco Community Music Center, que foi monitorada entre 2012 e 2015 por pesquisadores da Universidade de Califórnia. O repertório foi idealizado para atender ao gosto e às habilidades dos participantes, que inclusive fazem apresentações. Durante o período do estudo, os idosos se submeteram a testes de memória, coordenação e equilíbrio, além de responder a questionários sobre seu estado de bem-estar. Entre aqueles que haviam se engajado na atividade há pelo menos seis meses, houve melhora significativa em relação ao interesse pela vida, e o mais relevante é que os 12 corais criados na ocasião continuam ativos! Mariza Tavares Arte/G1
  10. São Paulo e Bahia são os estados que perderão maior número de cubanos do Mais Médicos

    O governo de Cuba anunciou nesta quarta-feira que decidiu sair do programa social. Paulistas têm 16% dos médicos cubanos estabelecidos. Veja mapa com distribuição dos profissionais por estado. Os estados de São Paulo e da Bahia têm o maior número de cubanos atuando pelo Mais Médicos e, por isso, são os que mais perderão médicos com o fim acordo. O governo de Cuba anunciou a retirada do programa nesta quarta-feira (14), citando "referências diretas, depreciativas e ameaçadoras" feitas pelo presidente eleito Jair Bolsonaro à presença dos cubanos no Brasil. Cubanos atuando no programa Mais Médicos no Brasil Alexandre Mauro/G1 O estado de São Paulo tem 16% de todos os médicos. A Bahia, quase 10%. Eles devem perder a maior quantidade absoluta de profissionais, mas a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e o Ministério da Saúde ainda deverão fazer um relatório de impacto no Brasil. Não necessariamente os paulistas e os baianos deverão sofrer mais com o fim do programa: estados do Norte e Nordeste já apresentam uma menor quantidade de médicos pelo Sistema Único de Saúde, um dos motivos da criação do programa em 2013. Vale lembrar que, desde a chegada de Michel Temer ao governo, o Ministério da Saúde busca uma diminuição no número de médicos estrangeiros no programa. Os cubanos representam 45% dos 18.240 profissionais que trabalham no Mais Médicos atualmente. A saída A decisão de saída do programa Mais Médicos foi anunciada pelo governo de Cuba nesta quarta-feira. O país tem uma parceria com a Opas, que estabeleceu o acordo com o Ministério da Saúde brasileiro para enviar profissionais do país. O acordo foi estabelecido há 5 anos pelo governo de Dilma Rousseff. "O Ministério da Saúde Pública de Cuba tomou a decisão de não continuar participando do Programa Mais Médicos e assim comunicou à diretora da Organização Pan-Americana de Saúde [Opas] e aos líderes políticos brasileiros que fundaram e defenderam a iniciativa", diz a nota do governo. O comunicado não diz a data em que os médicos cubanos deixarão de trabalhar no programa. A Opas disse apenas que foi comunicada da decisão por Cuba e informou o Ministério da Saúde. Sem dar mais detalhes, disse que está analisando a melhor forma de realizar a operação. Expulsão pelo Revalida Em agosto, ainda em campanha, Bolsonaro declarou que ele "expulsaria" os médicos cubanos do Brasil com base no exame de revalidação de diploma de médicos formados no exterior, o Revalida. A promessa também estava em seu plano de governo. Fora do Mais Médicos, os formados no exterior não podem atuar na medicina brasileira sem a aprovação no Revalida. Mas no caso do programa federal, todos os estrangeiros participantes têm autorização de atuar no Brasil mesmo sem ter se submetido ao exame. Após a decisão do governo cubano, Bolsonaro se manifestou pelo Twitter dizendo: "Condicionamos à continuidade do programa Mais Médicos a aplicação de teste de capacidade, salário integral aos profissionais cubanos, hoje maior parte destinados à ditadura, e a liberdade para trazerem suas famílias. Infelizmente, Cuba não aceitou." Bolsonaro disse ainda que "além de explorar seus cidadãos ao não pagar integralmente os salários dos profissionais, a ditadura cubana demonstra grande irresponsabilidade ao desconsiderar os impactos negativos na vida e na saúde dos brasileiros e na integridade dos cubanos". O presidente eleito acrescentou que "Cuba fica com a maior parte do salário dos médicos cubanos e restringe a liberdade desses profissionais e de seus familiares". "Eles estão se retirando do Mais Médicos por não aceitarem rever esta situação absurda que viola direitos humanos. Lamentável!", escreveu no Twitter. Initial plugin text Initial plugin text
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